08 de julho de 2026
Brasil

Desmate emalta incomodaBolsonaro

Por Da redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min

A divulgação do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de mais de mil km² derrubados na floresta amazônica na primeira quinzena de julho, alta de 68% em relação a julho de 2018, foi o estopim para a crise com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que chamou os dados de "mentirosos" --ele voltou atrás depois.

Desde então, o instituto se vê em uma cruzada de membros do governo para desqualificar os dados do Inpe e o seu diretor, Ricardo Galvão, já convidado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia --órgão ao qual é subordinado-- para dar explicações em Brasília.

Uma das vozes mais duras contra o instituto que tem sede em São José tem sido a do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ele chegou a sugerir uma substituição do Inpe por uma empresa privada para melhorar a análise do desmatamento.

Para pesquisadores, as críticas revelam uma tentativa velada de controlar os dados do desmatamento, ao invés de atacar e combater diretamente o problema, que causa embaraços ao país no exterior.

Especialmente no momento em que prosperam negociações comerciais com importantes blocos, como o Mercosul e a União Europeia.

O governo sabe que há países que só compram produtos brasileiros, como gado e soja, com garantia de que não são derivados de áreas de desmatamento.

Controlar os dados divulgados sobre a perda de áreas verdes na Amazônia seria, portanto, estratégico para as pretensões de Bolsonaro, que já deu mostras de não gostar de estatísticas. Ele já criticou o IBGE, por exemplo, e chegou a dizer que a fome no Brasil é uma "mentira".

Também o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, criticou a divulgação dos dados. "Reconheço a estranheza quanto à variação dos últimos resultados", disse.

"Meio ambiente é moeda econômica. Ponto crítico. Governo quer alterar a metodologia IBGE para dados favoráveis e agora trocar dados de desmatamento", disse Acioli Olivo, servidor aposentado do Inpe..