11 de julho de 2026
Entrevista

No Vale, secretário de Agricultura do Estado aborda soluções tecnológicas para o campo; confira

Por Thaís Leite |
| Tempo de leitura: 8 min
Entrevista com secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Itamar Borges

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Itamar Borges, visitou São José dos Campos nesta semana e destacou a importância da tecnologia no campo.
Em entrevita exclusiva concedida a OVALE, durante visita à redação do jornal, ele anuncia novidades como a chegada do Rotas Rurais, além do reforço para segurança no campo e um pacote de auxílio aos trabalhadores da área.
Confira:

De que forma o agro foi afetado pela pandemia e qual seu papel na retomada?
O agro logo no início da pandemia foi declarado atividade essencial, como atividade essencial ele não teve uma interrupção de produção, de atividade laboral, portanto continuou naturalmente, tanto os trabalhadores, como a produção, como a comercialização. Porém ele acabou tendo um impacto, em especial a agricultura familiar, porque o início da pandemia e uma boa parte da pandemia restringiu o funcionamento de restaurantes, hotéis e levou pra casa muitas famílias muitos trabalhadores, acabou mudando um pouco a cultura alimentar, o comportamento das pessoas e o mais atingido acabou sendo o familiar, que é quem produzia e produz para essa comercialização mais direta, mais próxima, mais rápida. Então acabou sendo o ponto, se você pega o agro na linha de commodities, nas grandes produções, esse caminhou naturalmente. A retomada nós temos algumas políticas que nós vamos lançar nos próximos dias. Nós aprovamos no conselho do Sebrae R$ 100 milhões para dois trabalhos um setorial e outro de arranjo produtivo local. nós vamos lançar no estado de sp 65 APLs (arranjos produtivos locais), desses 19 são ligados ao agro. E são arranjos produtivos locais que vão organizar o setor para a retomada da pandemia. Paralelo a isso, nós teremos a oferta de crédito, começando com crédito ao pequeno comerciante, ao pequeno produtor e aí nós estamos dividindo o recurso inicialmente dentro do Banco do Povo, um aporte de R$ 115 milhões, vamos oferecer sem juros até R$ 20 mil para capital de giro para essas atividades familiares e pequenas atividades poderem se inserir na retomada das atividade. Além, é claro, para os desempregados, o governo está lançando o Bolsa Trabalho, que vai ser uma atividade de dois meses, paralela com capacitação, e vale também para quem está no agro e teve problemas, para que ele possa daí criar uma nova atividade. 

Neste contexto, qual o papel da RMVale?
O Vale tem várias características, temos aqui desde a produção orgânica, nós temos também a olericultura e o arroz que acaba liderando essa produção. Nós temos aqui importantes unidades de pesquisa que ajudam muito a fazer diferença ao pequeno produtor e ao médio produtor. Por exemplo, nós temos aqui a nossa unidade em Pindamonhangaba que faz pesquisas e parcerias para incrementar as mais diversas atividades, desde pecuária, até aquicultura, também temos em Campos do Jordão a nossa unidade de pesquisa que trabalha com truta e agora está atuando também com salmão. Tudo isso incrementa e estimula esse tipo de produção no Vale. Aqui na estação experimental nossa de Pindamonhangaba tem um trabalho único no brasil com o arroz orgânico, que incentiva o arroz negro que é uma característica aqui na região e estimula o aumento da produtividade e o uso da área orientado e organizado para poder produzir mais nessas áreas. Outro destaque que faço referência é a nossa Comevap, até visitei eles semana passada, vi um trabalho muito interessante no aspecto de laticínios, de queijos e que reúne 600 produtores aqui do Vale de praticamente todas as cidades e que tem ali um suporte para comercialização, uma garantia de preço para venda da sua produção e uma organização. O Vale tem uma estrutura respeitosa, o próprio rio incentiva muito essa atividade, é claro que temos muita mineração e outras atividades. E na questão de São José e das cidades do Vale, temos o destaque tanto para essa questão da tecnologia e temos que ressaltar a importância da região no turismo. Nós temos um contexto que integra com as atividades comercial, do agro de um modo geral. 

Como deve ser a implantação e qual a importância do Rotas Rurais?
Nós assinamos convênio com todas as cidades do escritório de desenvolvimento regional aqui do Vale. Todas as cidades estão formalizando hoje esse convênio, que vai permitir que a Secretaria de Agricultura com o Google faça um mapeamento, um diagnóstico e localize o endereço e as propriedades, todas elas. Nós temos a organização das propriedades, das estradas rurais e da porteira da entrada das propriedades. A Prefeitura e o sindicato rural de cada cidade vem e denomina a estrada e numera ou denomina as propriedades e os endereços. Com isso, você oferece uma plataforma digital que acessa tanto o Google maps como o Waze, para poder localizar esses endereços. É uma ferramenta que nós estamos denominando de CEP rural, é o endereço rural e vai ao encontro de um dos programas pioneiros e de muita importância que vamos lançar nos próximos dias, que é o programa Segurança no Campo. 


Como deve funcionar e de que forma ampliará a segurança aos produtores?
É um programa solicitado pela Faesp, reivindicado pelos sindicatos, pelas cooperativas e pelo produtor, vítima de diversas ocorrências. É lamentável o quanto tem crescido essa prática. Alinhamos com a Polícia Civil, estamos criando dentro do sistema da polícia a ocorrência rural, que vai permitir um mapeamento das ocorrências, um estudo da localização, da característica do crime. Paralelo a isso, vamos lançar a patrulha, que vai estar vinculada diretamente à prefeitura e ao sindicato rural, neste conceito de trabalho integrado. A secretaria oferece a patrulha que vai através da prefeitura e do sindicato fazer a ronda rural e o atendimento ao disque denúncia rural. Vai ampliar não só a sensação de segurança, mas efetivamente levar mais segurança para o campo. O governador João Doria e o vice Rodrigo Garcia elegeram esse programa como um desafio importante do governo para que possamos oferecer resposta a esse chamamento do produtor rural. Vamos lançar em agosto e já vamos começar a receber adesão das prefeituras. 

Como o uso da tecnologia tem sido aliado ao trabalho no campo?
Temos desde as nossas unidades de pesquisa que atuam diretamente com ciência, com pesquisa e temos ações que casam muito com estímulo, incentivo e promoção de novas startups. Essa semana, o governador João Doria anunciou e o vice-governador Rodrigo Garcia esteve lá representando ele nessa assinatura, no instituto agronômico de Campinas, o maior investimento de recursos do tesouro em ciência e pesquisa da história do estado de SP. Além do recurso originário que mantém as nossas 11 unidades regionais de pesquisa da APTA, os nossos seis institutos de pesquisa e consequentemente as unidades que são as fazendas que estão à disposição deste trabalho, foi anunciado mais R$ 52 milhões para todos os institutos, investimento em ampliação laboratorio, início de novas pesquisas, também vamos trazer pesquisadores, ampliar o quadro para poder efetivamente dar uma resposta mais rápida, acelerar pesquisas que estão em andamento para entregar o quanto antes para que possamos com essas soluções melhorar a renda do produtor, melhorar a produtividade e incrementar o agro de SP. Não é à toa que o agro em SP e consequentemente no Brasil é o carro-chefe da economia. 

E em relação a startups?
Temos duas atividades pré-programadas, resgatar um encontro de startups e oportunidades com o fundo de startups que vão identificar as práticas e vão convidar para o seu desenvolvimento e o outro nós vamos fazer numa integração com Fapesp, com Esalq, com as universidades e nossos institutos de pesquisa, um centro permanente de startups para incentivar cada vez mais as startups para o agro, com o apoio da Faesp e do Sebrae

Qual tem sido a adesão ao site que conecta produtores a compradores?
O site é o mercado digital, o mercado digital ele está ainda em fase de finalizar o cadastramento de comprador e vendedor, produtor e empresa, a Apas cadastrou mais de 400 supermercados e empresas e nós temos mais de 200, estamos avançando com produtores inicialmente, para que possamos iniciar o mercado digital e agora vamos com o Sebrae capacitar o nosso produtor para que ele consiga acessar o mercado digital e comercializar pelo mercado digital. O governador João Doria quer lançar o quanto antes porque esses 400 compradores e 200 vendedores tem que se multiplicar para milhares, tanto de um lado quanto do outro. O mercado digital vai ocupando espaço, como já ocupa em outros tipos de comércio, como de roupa, eletrodoméstico, entre tantos outros e no agro não será diferente.

Demorou para o agro entrar no digital?
Acho que poderíamos estar um pouco avançados, mas nunca é tarde porque esse tempo de construção vai permitir que você entre de uma forma mais organizada e sólida. O mercado digital não pode ser um instrumento que você entra para trombar e não dar certo, tem que ser um instrumento que entra a engrenagem se junta e ele roda para crescer e a oportunidade ser crescente e não decrescente. 

Quais medidas devem ser adotadas para auxiliar os produtores que enfrentam perdas com essa grande frente fria?
O governador João Doria imediatamente nos chamou e tivemos uma reunião quase que de emergência, e nós vamos anunciar, estamos formatando o desenho, de um pacote de apoio, de suporte, de socorro a esses produtores atingidos por essa geada que foi realmente fulminante e preocupa muito, e aquilo que puder ser feito pelo governo de São Paulo, em parceria com o Sebrae, com a Desenvolve SP, tanto na área de crédito como de socorro, seguro rural, nós estamos já com esse anúncio prestes a ser incorporado e anunciado para esse momento tão triste das interferências climáticas que estamos sofrendo.