Na noite do último domingo, um lobo-guará foi flagrado no entroncamento das avenidas Pensilvânia, Castelo Branco e Rua Padre Eugênio, na região oeste de Jacareí.
Assim, esta é a segunda vez esse ano que essa espécie de animal silvestre é visto em ambiente urbano, fora de seu habitat natural.
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Para especialistas, diversos fatores podem causar a migração temporária deles para a cidade. Entre eles, a escassez de alimentos em seu ambiente de origem.
“Esses animais, lobos-guará, têm uma necessidade de alimento e se deslocam muito em busca de alimentos. No inverno, esses alimentos diminuem e muitos deles estão criando os filhotes que nasceram e precisam buscar comida. Muitas vezes, no ambiente natural está faltado e podem estar buscando comida na cidade, revirando lixeira”, disse Hugo Gallo Neto, presidente Instituto Argonauta.
Segundo ele, isso acaba sendo um problema para esses animais. “De qualquer forma, não é bom para o animal, pois não está comendo o que é a alimentação natural dele e, outra questão é que ele pode ficar sujeito a exposição de doenças que existem nos cachorros”, disse.
“Tem também os atropelamentos e as queimadas também são um problema, desmatamento tem menos animal na mata e menos comida para os lobos”, afirmou.
VÁRIOS FATORES.
Aglair Ruivo, Bióloga e Mestre em Agroecossistemas, lembra que toda análise sobre fenômenos naturais deve ser considerada por um ponto de vista multifatorial. “São diversos fatores que poderão explicar determinado fato. Então, é importante estudar cada caso”, disse.
“No entanto, em geral, a gente consegue explicar de uma forma mais generalista, mas considerando vários fatores. A gente tem como fator primordial a perda de habitat desses animais. É um fator muito importante. Então eles vão procurar expandir para sua própria sobrevivência”, disse.
“Em alguns casos, encontram isso na cidade. Esses habitats podem ter diminuído ou ficar com menos alimentos, menos águas. Pode ser por mudanças climáticas naturais, de tempos em tempos, mas também essa diminuição desse espaço pode se dar por um manejo inadequado do ser humano, que cada vez mais tem”, disse.
A especialista também lembra que queimadas, retirada de plantas sem critérios e até expansão de construções sem pensar na natureza podem ser um problema para esses animais silvestres. “O equilíbrio de fato seria o ideal. O ser humano é da natureza, depende da natureza e vive melhor na natureza”, ressaltou Aglair.
“O homem viveria melhor com a manutenção dessas áreas para esses animais ficarem em seus lugares. Isso em geral, mas às vezes alguma outra variável poderia acontecer. Seria necessário fazer uma investigação nesse lugar para ver o motivo que faz esses animais irem para a cidade”, afirmou.