09 de julho de 2026
CPI

Com Ricardo Barros na mira, CPI da Covid aprova requerimentos de quebra de sigilo

Por Agência O Globo - |
| Tempo de leitura: 2 min
Ricardo Barros

A CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira dezenas de requerimentos de quebra de sigilo que têm como alvo o líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Integrantes da comissão suspeitam da ligação dele com irregularidades na negociação da vacina Covaxin. Esse imunizante, desenvolvido pelo laboratório indiano Bharat Biotech, foi o mais caro a ter negócio fechado com o Ministério da Saúde. As tratativas no Brasil ficaram a cargo da empresa Precisa, mas elas foram suspensas pelo Ministério da Saúde após o caso ter entrado no radar da CPI.

A CPI já tinha determinado a quebra do sigilo fiscal de Barros a partir de 2018. Agora, estendeu esse período até 2016, o que vai abranger todo o tempo em que ele foi ministro da Saúde durante o governo do ex-presidente Michel Temer. Barros tem um processo de improbidade administrativa na Justiça Federal em razão de um contrato fechado pela pasta nessa época com a empresa Global, sócia da Precisa, que recebeu pagamento adiantado, mas não forneceu os medicamentos que deveria.

A CPI também vai solicitar ao Supremo Tribunal Federal (SF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) informações sobre processos envolvendo Ricardo Barros. Além disso, a pedido de relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), foi aprovado a quebra do sigilo fiscal de 20 empresas. Segundo Renan, os depoimentos, informações e documentos em posse da comissão "demonstram estar inter-relacionados comportamentos, transferências monetárias e ligações societárias entre o Deputado Ricardo Barros" e essas empresas.

A Precisa e o dono dela, o empresário Francisco Maximiano, também tiveram o prazo de quebra de sigilo fiscal ampliado.

Além disso, a CPI aprovou a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático da Global. Outros personagens envolvidos em negociações suspeitas de vacinas, como a entidade privada Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) e o o coronel Marcelo Bento Pires, que já teve cargo no Ministério da Saúde, também tiveram sigilos quebrados.