As principais cidades do Vale do Paraíba não devem ter desfiles em celebração ao 7 de setembro, tradicional data cívica comemorada na região.
O motivo oficialmente alegado é a pandemia do coronavírus, para evitar aglomerações e a possibilidade de contágio.
Foi o que fizeram as prefeituras de São José dos Campos e de Taubaté, que confirmaram o cancelamento do desfile. A de Jacareí ainda não se manifestou.
“Realmente, não temos confirmado o desfile de 7 de setembro”, informou a Prefeitura de São José dos Campos, por meio da assessoria de imprensa.
Taubaté informou que a celebração será feita de forma remota por alunos e professores da rede municipal de ensino, por meio, por exemplo, da elaboração de vídeos alusivos à data histórica, que comemora a independência do Brasil.
MANIFESTAÇÕES
No entanto, a desistência ocorre em meio a convocações de grupos bolsonaristas para manifestações em 7 de setembro, em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
As ações devem contar com ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao Congresso Nacional e à CPI da Covid-19, além de defesa do voto impresso e de outras bandeiras de Bolsonaro, com o armamento da população.
O tom de ameaça subiu nas últimas semanas com o apoio que as manifestações ganharam entre policiais militares da ativa e da reserva.
Vários oficiais pelo país usaram as redes sociais para convocar outros policiais a aderirem aos atos, inclusive ostentando símbolos da Polícia Militar, como boinas e bandeiras.
AFASTAMENTO
Em São Paulo, o coronel Aleksander Lacerda foi afastado do comando do CPI-7, em Sorocaba, após postagens em defesa de manifestação a favor de Bolsonaro. Ele também fez ataques e ofensas a integrantes do STF, ao Congresso e ao governador João Doria (PSDB).
“Foi um fato pontual. O coronel teve um comportamento inadequado e rompeu com a disciplina”, disse Doria no Roda Viva, da TV Cultura.
O tucano confirmou o monitoramento de redes bolsonaristas para tentar evitar confrontos em 7 de setembro. Doria decidiu que os grupos pró-Bolsonaro poderão usar a avenida Paulista, na capital, para as manifestações. Atos contrários ao presidente deverão ser realizados no dia 12 de setembro.
“Temos a inteligência da Polícia Civil que observou movimentos muito intensos dessas redes bolsonaristas estimulando medidas mais duras, inclusive agressões”, informou o governador.
RMVALE
Na região, OVALE apurou que prefeituras também estão atentas às convocações para atos pró e contra Bolsonaro, que estão sendo monitoradas. O intuito é evitar confrontos.
“As secretarias de Segurança e Trânsito estão atentas porque acompanham”, informou a Prefeitura de Taubaté.
Em nota, a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) informou que “os policiais militares da ativa são proibidos de participar de eventos de caráter político-partidário”.
“Toda e qualquer denúncia de descumprimento das normas vigentes são rigorosamente apuradas e punidas, se confirmadas. As forças policiais atuam diuturnamente para garantir os direitos e a segurança de todos”, completou a pasta.