08 de julho de 2026
Pandemia

Delta e ‘vida útil’ da vacina representam dose de incerteza contra a Covid

Por Thais Leite e Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min

Xadrez biológico.

O jogo pela vida continua jogado, agora com peças de incerteza imiscuindo-se no tabuleiro mundial.

A chegada da variante delta do coronavírus prenuncia um ‘xeque’ no combate à pandemia, mesmo nas nações mais vacinadas. O ataque ao rei --no caso, à vida-- exige novas estratégias na guerra biológica contra o vírus.

O cenário é mais incerto com a constatação, por meio de pesquisa britânica, de que a proteção dos imunizantes contra a Covid cai após seis meses.

A queda é parcial e, segundo cientistas, as vacinas mantêm nível alto de proteção. Porém, adiciona um desafio a ser encarado.

Com a queda da imunidade ao vírus ao longo do tempo, houve a necessidade de se aprovar uma terceira dose das vacinas em idosos, o que já foi anunciado no estado de São Paulo (leia texto nesta página).

Além disso, a variante delta tem provocado o ressurgimento de surtos em alguns países, nos quais se imaginava que a vacinação resolveria por completo o problema da pandemia e a vida voltaria ao normal. Não é bem assim.

MUNDO

Nos Estados Unidos, quase 99% dos casos sequenciados são da variante delta e o país voltou a ter patamar alto de infectados, com cerca de 150 mil casos por dia.

É parecida a situação no Reino Unido, com a delta dominando e a média móvel de casos em 33 mil contaminados.

“O Reino Unido está aberto totalmente desde 19 de julho e o governo adotou política de flexibilização do uso de máscara. Mesmo em ambiente fechado não é obrigatório, com exceção de transporte público e metrô”, disse o cardiologista Ricardo Petraco a OVALE. Ele é pesquisador na Imperial College de Londres.

“O que se observa é que a variante toma conta das outras cepas, por ser mais transmissível. Se observa aumento de número, mas não se transformou em hospitalizações e mortalidade por causa da vacinação.”

Para ele, em países com a vacinação em andamento em num ritmo menor do que no Reino Unido, como no Brasil, é um risco reabrir antes da imunização em massa.

“O que se aprendeu aqui é que a delta consegue ser transmitida, mas não causa mortalidade maior. Não se sabe o que vai ser em países que abrem antes da vacinação em massa. Pode ser outra onda.”

RMVALE

O região é considerada um dos corredores de entrada da variante delta no estado, pela proximidade com o Rio de Janeiro, onde a cepa é dominante.

Não à toa, o Instituto Butantan escolheu Aparecida para instalar o primeiro laboratório móvel capaz de sequenciar geneticamente a variante. O equipamento permaneceu três semanas na cidade e recebeu mais de 1.100 amostras.

O objetivo é antecipar os movimentos do vírus, como explica o médico Antônio Jorge Martins, membro do Grupo de Alerta das Variantes de Covid 19 do Butantan.

Disse ele a OVALE: “Função é mapear o que está acontecendo em cada região para que a Vigilância Epidemiológica e a saúde possam agir”.

“No Vale, já faz quatro semanas que estamos rastreando e acompanhando muito de perto todos os PCR’s e sequenciando todas as amostras, justamente para dar condições a cada município entender o que está acontecendo e tomar medidas de contenção e evitar a disseminação de qualquer variante.”

Martins disse que cada cidade recebe a informação semanalmente. “[A delta] é uma preocupação, sim. Porque é uma das variante que está conseguindo se sobrepor à [variante] gama [P1], que é a do Amazonas. Merece muita atenção e o Butantan está tomando muito cuidado com ela”.

No estado, foram identificados 266 casos da variante delta, segundo a Secretaria Estadual da Saúde, sendo 27 deles no Vale --16 casos em investigação, um importado e 10 autóctones. No Brasil foram registrados em torno de 26 mil casos.

TERCEIRA DOSE

Com o apontamento de possível queda na imunidade dos vacinados contra a Covid-19, o governo estadual anunciou que começa a vacinar pessoas com mais de 60 anos com uma terceira dose contra a doença a partir de 6 de setembro.

O calendário de idades ainda não foi divulgado, mas a data já antecipa a pretensão do governo federal, que prevê o reforço em 15 de setembro.

Para a campanha no estado, devem ser utilizadas as vacinas que estiverem disponíveis, independente do fabricante.

"As pessoas de 60 anos que serão vacinadas são aquelas que já completaram seis meses da segunda dose. É a partir dos seis meses que há a possibilidade de uma queda na imunidade", explicou o coordenador-executivo do Comitê Científico, João Gabbardo.