A abertura de usinas termelétricas no Vale do Paraíba depende da análise dos impactos ambientais de cada projeto, especialmente na quantidade de emissões de gases poluentes dos empreendimentos.
Em tese, esse tipo de negócio é permitido no estado de São Paulo, mas desde que passe por um rigoroso estudo de análise ambiental e de todos os impactos.
A afirmação é de Patrícia Iglecias, presidente da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), em entrevista exclusiva a OVALE.
Conceitualmente, usinas termelétricas produzem energia a partir da queima de carvão, óleo combustível e gás natural em uma caldeira. Ou ainda pela fissão de material radioativo.
Segundo especialistas, cerca de 60% da energia do mundo é produzida neste tipo de usina, que elimina dióxido de carbono e gera impactos ambientais consideráveis.
Em São José dos Campos, o governo Felicio Ramuth (PSDB) enviou um projeto à Câmara que permite a instalação de usinas termelétricas na cidade. O texto tramita pelo legislativo e causa polêmica, sendo criticado por ambientalistas e pela oposição.
“Não há uma restrição do ponto de vista técnico-científico. Mas é claro que temos que analisar o impacto do projeto em si. A Cetesb nunca aprova uma tecnologia pela tecnologia. Sempre analisamos o projeto todo. Olhamos o impacto do projeto em relação à vizinhança, às emissões. Olhamos o todo para poder dizer se o projeto é viável ou não em determinado local”, diz Patrícia Iglecias.
Segundo ela, a grande questão sobre as usinas termelétricas é o impacto regional dos empreendimentos e qual seria a “quantidade de emissões de um projeto como esse”.
“É importante que se tenha um olhar da Cetesb, porque temos todos os dados, de água, energia e qualidade do ar, que precisam ser vistos. Com relação ao licenciamento, temos que olhar os efeitos sinégicos. Não posso olhar o empreendimento apenas, mas para todo o entorno dele. E aí, sim, vou avaliar a disponibilidade ou não. Temos que analisar o projeto específico”, completa a presidente da Cetesb.
Patrícia diz que o estado de São Paulo tem compromisso com a descarbonização e a busca por reduzir e zerar as emissões de carbono até 2050.