A criação de um abrigo regional composto por uma equipe multidisciplinar é reivindicação feita por grupos em defesa de mulheres vítimas de violência na RMVale. Hoje, a região conta com abrigos apenas para permanência das mulheres em São José dos Campos e em Taubaté.
Para Marcela de Andrade, diretora-executiva do Centro Dandara, é nítida a demanda existente na região, já que mulheres de outras cidades contatam a organização em busca de abrigo diante da ausência do equipamento em suas respectivas cidades.
"É preciso que os governos trabalhem com uma Casa Abrigo Regional, com complexidade de estrutura, atendimento multidisciplinal, uma rede de apoio para essas mulheres. A gente sabe que o município não teria esse recurso, por isso pensamos em um formato de consórcio", afirmou. "Recebemos muitas solicitações de vagas para mulheres aqui de cidades ao redor, a gente sente que tem essa demanda", continuou.
A organização fica à frente do abrigo protetivo de São José dos Campos, onde o atendimento sofreu redução durante a pandemia. A baixa segue a dificuldade de registros de violência enfrentado pelas mulheres durante a pandemia, quando novos obstáculos surgiram.
"Tem toda essa situação, elas estão precisando, mas estão enclausuradas. Não significa que a violência não esteja aqui fora", ponderou. "O abrigo deve existir, mas não deveria ter nenhuma mulher dentro porque é uma prisão para a mulher", acrescentou.
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REGIÃO.
No Vale, Taubaté e São José dos Campos contam com abrigos protetivos que sofreram o impacto da pandemia.
Em São José, o município informou que somente no atendimento de mulheres em situação de violência, o número passou de 517 em 2019 para 299 em todo o ano de 2020 e, nos primeiros seis meses deste ano, ficou em 169.
Taubaté, por sua vez, informou que a Casa da Mulher em situação de violência doméstica atendeu 12 mulheres em 2019 e sete em 2020. Em 2021, apenas nos primeiros seis meses do ano, já chegou a 12 novamente.
Jacareí não conta com um abrigo protetivo e, por ora, não pretende contar. Segundo o município, não haveria demanda. Entre 2020 e 2021, a cidade registrou 48 situações de mulheres em situação de violência ou violação. Ao todo, quatro optaram por deixar suas residências e teriam recebido apoio.
"Quando é identificado um caso de necessidade de proteção contra violência de forma emergencial, a pasta imediatamente providencia passagens para abrigamento das vítimas junto às suas famílias, parentes ou amigos, dentro ou fora do município. Além disso, a Prefeitura tem parceria com o Instituto Avon (Projeto Acolhe) e com a Casa da Mulher Brasileira, para acolhimento de mulheres em situação de violência, caso as vítimas não tenham local seguro para ir", informou a Secretaria de Assistência Social.
A Secretaria de Segurança Pública foi procurada sobre a possibilidade de um abrigo regional e não retornou.
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