A pandemia do novo coronavírus esvaziou as igrejas e os cartórios do Vale do Paraíba a ponto de os casamentos registrarem a maior queda percentual da série histórica da Fundação Seade, que começa em 1980 e se baseia em dados do Registro Civil.
O levantamento foi feito por OVALE e compara um ano com o seu antecessor.
Segundo os dados do Seade, a região totalizou 12.461 matrimônios no ano passado contra 16.983 em 2019, queda de 27%.
Nunca um percentual tão alto de queda na quantidade de casamentos havia sido registrado na região. Antes de 2020, o Vale havia tido 18% de redução nos matrimônios em 2018, com 14.757 uniões contra 17.960 no ano anterior.
O número de casórios no ano passado foi o menor para a região desde 2004, quando 12.219 casamentos foram organizados no Vale.
UNIÃO HOMOAFETIVA
A pandemia também afetou as uniões homoafetivas no Vale, que vinham sendo contabilizadas pelo Seade desde 2018.
No ano passado, a região acumulou 155 casamentos entre pessoas do mesmo sexo contra 179 no ano anterior, queda de 13%. Na comparação com 2018 (197 matrimônios homoafetivos), a redução foi de 21%.
HISTÓRICO
De acordo com os dados do Seade, o total de matrimônios vinha em queda na região desde 2016, quando atingiu o maior pico da série histórica, com 18.634 enlaces oficiais.
Caiu para 14.757 em 2018 e recuperou um pouco no ano seguinte, subindo 15% e chegando a 16.983.
A queda em 2020 interrompe essa tendência de aumento no número de casamentos e é atribuída principalmente à pandemia.
“Pesquisa do Seade revela que a pandemia de Covid-19 teve impacto na redução do volume de casamentos em todo o estado”, informou a fundação.
PERFIL
A pesquisa mostra que a idade média ao se casar manteve-se elevada em 2020, sendo 35,2 anos para os homens e 32,7 para as mulheres, em todo estado. Em 2019, as médias foram de, respectivamente, 35 e 32,5 anos.
A pandemia também afetou a distribuição mensal dos casamentos, cuja sazonalidade foi alterada quando comparada aos anos anteriores.
A partir de março, informou o Seade, observa-se redução no volume mensal, sendo que abril, maio e junho foram os meses com menores ocorrências, concentrando apenas metade dos casamentos verificados nesses meses em 2019.
Depois de julho, apesar da recuperação esboçada, o patamar de anos anteriores não foi alcançado. Dezembro permaneceu como o de maior registro de casamentos em 2020.