Em participação no webinário 'O Brasil do Futuro', organizado por OVALE no começo deste ano, o secretário de Saúde de estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, um dos principais nomes na linha de frente ao combate à pandemia, defendeu as medidas do Plano São Paulo, mas admitiu que foi um erro utilizar a fase verde.
Ao analisar a trajetória do plano, ele destacou que a utilização da cor verde em uma das fases, que começou em outubro e foi até dezembro, poderia ter dado uma falsa sensação de que o pior já teria passado.
“Verde, na cabeça das pessoas é ‘sinal verde’. Talvez a gente tenha errado em usar o verde para esta fase. Talvez tivesse deixado um azul”, afirmou.
“Isso deu a impressão de que as pessoas pudessem sair. E isso começou com as eleições e junto vieram os feriados, as pessoas foram para praias, clubes, dias mais quentes e com isso se aglomeraram muito mais, de forma irresponsável.”
O secretário cobrou a responsabilidade da população em atender as orientações do plano estadual.
“Se as pessoas tivessem usando máscaras, fazendo o distanciamento, mesmo com a nova cepa não teria o avanço dos casos com essa amplitude. As pessoas precisam ter maturidade, precisamos ser adultos”, disse Gorinchteyn, criticando as aglomerações e festas, principalmente no final de 2020, que geraram a segunda onda de transmissão.
Gorinchteyn ainda lembrou o ‘cansaço’ das pessoas com a quarentena. “As pessoas cansaram. Durante 13 semanas, de agosto a novembro, teve queda de óbitos e casos. E as pessoas acharam que tinha acabado. E tivemos um grande número da população sem seguir as normas. Tivemos um incremento muito grande nas festas de final de ano”, disse o secretário.
ISOLAMENTO
Ele lembrou que o próprio filho descumpriu a quarentena e pegou Covid-19. “Vou contar um segredo para vocês: meu filho mora fora, veio passar as festas de final de ano, disse que ia ficar na casa de uns amigos na praia, pois não os via há quatro anos. Falei para ele assumir esse risco. Não deu outra, pegou Covid-19, ficou isolado, o deixei na praia mesmo”, afirmou.
“Você é médico, secretário da saúde, explica em casa e não funciona. As pessoas tem que assumir a responsabilidade e cada um avaliando o que realmente acontece. As posturas que a gente toma. Temos que ser muito adultos. O que o estado vai fazer? E as pessoas discutem isso na praia, tomando caipirinha. Então, o exemplo parte delas. Nós temos que ser os nossos exemplos, cobrar das pessoas à nossa volta e cobrar dos gestores também”, completou Gorinchteyn.