11 de julho de 2026
Entrevista

'Crise na indústria é desafio para Taubaté', diz novo secretário de Desenvolvimento

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min
LG Taubaté

O drama da saída da Ford e da produção de celulares da LG assombra o novo secretário de Desenvolvimento e Inovação de Taubaté, o advogado Alexandre Ferri: “Trouxe um impacto assustador na economia do município que estamos tentando enfrentar”, admite ao Gabinete de Crise de OVALE.

Com passagem por administrações anteriores e experiência na gestão pública, ele foi convocado pelo prefeito José Saud (MDB) para gerar emprego, atrair investimentos e preparar Taubaté para o futuro. Confira na íntegra.

O que representa a saída da Ford e da LG da cidade?

A saída dessas duas empresas é um prejuízo muito grande para a cidade, seja na perda dos postos de trabalho e na queda da arrecadação de impostos. São situações que ocorreram no agravamento da crise econômica no país e mais ainda a pandemia, que trouxe impacto direto às empresas. Além disso, o impacto negativo também se alastrou pelas prestadoras de serviço de forma direta e indireta. E isso trouxe um impacto assustador na economia do município que estamos tentando enfrentar. O prefeito Saud tem algumas ideias para que busquemos alternativas para amenizar o estrago feito.

Como quantificar essas perdas?

Não temos um número definitivo porque ainda estamos enfrentando a pandemia. Estou chegando agora e fazendo um diagnóstico de todo o histórico da secretaria e do cenário que estamos vivendo. Com isso, buscamos alternativas para fazer recursos, fazer o bolo com a receita caseira, através dos planos e ações estratégias que estamos adotando, em sinergia com as demais secretarias, para que possamos fomentar o emprego por meio da cessão de áreas a empresas, para atrair novos negócios e investimentos, e abrir empregos.

Como é feito?

Estamos concedendo isenções fiscais a empresas que já estão estabelecidas e produzindo na cidade, para reduzir o ISS de 5% para 2% e, em contrapartida, que eles aumentem os postos de trabalho. Neste ano, conseguimos dar incentivos fiscais a duas empresas e conseguimos aumentar em 380 os postos de trabalho, para dar uma amenizada na defasegam de trabalho.

Essa redução pode ser feita pela prefeitura?

Sim. Se a empresa não cumprir os requisitos, paga o valor retroativo com juros e correções. Tem que cumprir os programas previstos na lei. O município deixa de arrecadar e a empresa gera mais renda. Numa das empresas o ISS aumentou em R$ 100 mil com uma nova atividade para a planta. O município ganhou, e essa é uma política que estamos fazendo.

Como enfrentar o processo de desindustrialização?

A secretaria implementa políticas públicas e estimula o desenvolvimento em todas as áreas, incluindo a agropecuária, visamos o crescimento econômico sustentável da cidade e aumentar o emprego para a população. Estamos trabalhando na concessão de áreas, não é mais doação. Quem tem interesse deve passar por crivo de análise técnica. Há interesse nos empresários que deixam de pagar aluguel, mas aumentam os empregos e diversificam a economia. As cidades que vivem de indústria e serviço têm que pensar na mudança de vocação, com o turismo e outras, para não ficar refém de situações como a Ford e LG.

Regularizar os distritos industriais é meta?

Estamos fazendo um diagnóstico dos distritos industriais, temos seis distritos e estamos fazendo o diagnóstico para formatar um plano de trabalho e ação estratégica para resolver esse problema de irregularidade.

Quais setores poderão gerar emprego para superar as perdas da pandemia?

Uma ação assertiva do prefeito foi a junção das secretarias no mesmo endereço para aprovar projetos de construção civil em menor tempo, que é setor que colabora com o desenvolvimento e a geração de empregos. Aprovar rápido para girar a economia.

Em quais áreas Taubaté irá inovar?

Estamos trabalhando com o hub de inovação tecnológica, temos um grupo específico e foi contratada a fundação municipal para fazer a gestão desse hub, para desenvolver tecnologia e apoiar as startups, até como incubadora, mas não no formato do Parque Tecnológiuco de São José, que é gigantesco, mas em modelos menores.

Como o sr. vê o futuro da cidade quanto ao seu desenvolvimento econômico?

Não podemos descartar a indústria, mas pensar em todas as áreas, como nas startups menores e em parcerias. Desenvolver aplicativos e trazer para o município, agilizando serviços para os cidadãos. Tudo que puder ser agregado na parte tecnológica não podemos descartar. Estamos trabalhando para trazer outras empresas e não ficar dependente de grandes empresas e, se ocorrer uma situação como essa que enfrentamos, de a cidade ficar à mercê de demissão em massa, isso é muito ruim. A pandemia não acabou.

O que o cidadão pode esperar do Alexandre Ferri?

Estou tentando o máximo de trazer expetise e informação para a secretaria, mirando a geração de emprego e renda. Vamos centralizar a sala do empreendendor com Sebrae e o Banco do Povo para incentivar os novos empreendimentos e os empreendedores. Tivemos crescimento de mais de 129% na abertura de empresas, ante 2020. Vamos trazer empresas para a cidade. As pessoas esperam o trabalho bem feito. Vamos arregaçar as mangas para fomentar a economia e gerar emprego e renda. Vamos trabalhar com o emprego digno.