11 de julho de 2026
Litoral

'Ilhabela é o 1º destino de trabalho remoto do Brasil', diz secretária de Turismo

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 5 min
Ilhabela

Ilhabela se reinventa e transforma a crise provocada pela pandemia do coronavírus em oportunidades.

A cidade apostou em campanha para atrair turistas interessados em trabalhar a partir de Ilhabela, no conceito de ‘anywhere office’ (escritório em qualquer lugar). A ideia é fazer da ilha do Litoral Norte um “paraíso do trabalho remoto” no país.

“Lançamos Ilhabela como primeiro destino de trabalho remoto do Brasil”, disse Luciane Farias Leite, secretária de Desenvolvimento Econômico e do Turismo de Ilhabela, ao Gabinete de Crise de OVALE.

Confira a entrevista na íntegra.

Que impactos a pandemia trouxe a Ilhabela?

Todos estão enfrentando tempos difíceis, incluindo o trade turístico de Ilhabela. A cidade vem lidando muito bem com os desafios. Estamos trabalhando para recuperar a economia sem deixar de lado a segurança de moradores e turistas. O fato de estarmos numa ilha facilita. A prefeitura está exigindo, aos finais de semana e feriados, que todos os visitantes apresentam exame negativo de Covid-19 para entrar no município. Mesmo assim, é necessário que todos façam a sua parte no combate à pandemia.

O turismo se recupera?

A primeira coisa que fizemos em fevereiro foi pleitear o selo de destino de segurança, chancelado pela WTCC (Conselho Mundial de Viagens e Turismo). A partir do momento em que o destino cumpre todos os protocolos de segurança relacionados à Covid, como determina a Organização Mundial de Turismo, eles permitem que utilizemos esse selo. Também estamos fazendo campanha lembrando à população e aos visitantes que não podemos esquecer os cuidados sanitários, que é um trabalho contínuo.

E os visitantes?

De acordo com o Ministério do Turismo, nesse primeiro momento viagens regionais de curta distância estarão em alta e atividades de lazer ao ar livre têm ganhado a preferência das pessoas. Todas estão aptas a viajar para áreas naturais onde possam desfrutar da natureza e fazer a sua atividade ao ar livre, evitando aglomerações. Temos diferentes estudos que indicam que a tendência é o turismo de lazer e o ecoturismo, e Ilhabela é um destino de natureza. Temos aqui 85% de mata atlântica, o nosso parque estadual. Estamos próximos ao principal centro de emissão de turistas do Brasil, que é a cidade de São Paulo e o estado. Esse é o nosso principal turista, os paulistas e paulistanos. É o melhor turista de todos, com gasto médio bastante alto, que valoriza experiências e gosta de viajar

Como está a ocupação de leitos?

Os números que temos são do desembarque da Dersa, que não é a realidade do total de visitantes. Há três meses, fizemos um convênio com a Secretaria Estadual de Turismo para implantarmos o nosso Observatório de Turismo, que vai fazer essas pesquisas. Na alta estação, temos uma hotelaria com ocupação de 90% a 100%. Tivemos isso este ano até março. Depois entrou um período mais de baixa, mas tivemos 80% de ocupação por conta da Semana de Vela, que é a mesma ocupação de 2019, quando não havia pandemia.

Quantas vagas há na rede hoteleira da cidade?

São 6.000 leitos para uma cidade de cerca de 40 mil habitantes.

A cidade já está retomando a ocupação pré-pandemia?

Temos feito promoções e fomos o primeiro destino que incorporou o anywhere office. Lançamos Ilhabela como o primeiro destino de trabalho remoto do Brasil. Fizemos isso como forma de ajudar a nossa hotelaria a superar esse período de baixa estação. Além disso, retomamos os grandes eventos, e o primeiro foi a Semana Internacional de Vela, com 80 embarcações e quase 1.000 competidores, o que movimentou a economia da cidade. Nesse período, tivemos 80% de ocupação da rede hoteleira, cumprindo todos os protocolos de segurança.

O anywhere office veio para ficar em Ilhabela?

Trabalhamos com planejamento. Fizemos quatro meses de campanha intensa do anywhere office, o paraíso do seu trabalho remoto. Concomitantemente, o prefeito está em tratativas para captar uma melhor internet. Temos diversas empresas de tecnologia de internet aqui e já chegou a fibra ótica.

Isso traz turistas por mais tempo?

Exatamente. Quando vem para cá e fica hospedado, pode ficar em vários tipos de hotel e até os hostels [albergues] estão recebendo esse turista que quer ficar mais tempo, e trabalhar daqui. Ilhabela não tem mais ninguém internado por conta da Covid e isso nos dá segurança.

Nesse novo contexto, qual a expectativa para o próximo verão?

Nunca deixamos de receber turistas. As pessoas que vieram trabalhar aqui de Ilhabela é uma nova tendência. Vem fazer o home office e aproveita, ao mesmo tempo, o que Ilhabela tem de melhor, que é o turismo ao ar livre, as trilhas, a questão do mar. Com tudo isso, mantivemos uma ocupação privilegiada comparado a outros destinos do país. No período de baixa, tivemos de 50% a 70% de ocupação na rede hoteleira, com 30% durante a semana. Vamos continuar a receber e estamos promovendo cada mês um evento diferente. Em agosto, temos o festival do camarão.

Qual a expectativa para o verão?

São boas as expectativas e teremos atividades a cada mês. Em setembro, é o aniversário da cidade e promoveremos atividades junto com o meio ambiente. Teremos a vinda da família Schürmann, que vai fazer o projeto Vozes do Oceano, uma viagem de dois anos com uma parada aqui em Ilhabela. Vamos focar nessa questão ambiental. Teremos cada mês um evento diferente. Temos um horizonte positivo pela frente. A previsão dos cruzeiros marítmos é de retornarem em novembro.

O que a pessoa tem que fazer para visitar a cidade?

Temos restrições aos finais de semana, de sexta a domingo. Quem vier, se estiver vacinado com as duas doses, pode entrar sem problema nenhum. Se não tiver, pedimos o teste do PCR que deve ser apresentado na entrada da balsa, pode ser feito até 48 horas antes da viagem. Pode entrar sem problema na ilha.