O presidente Jair Bolsonaro questionou nesta sexta-feira, em evento de uma igreja evangélica em Goiânia (GO), se não está na hora de o STF (Supremo Tribunal Federal) ter um ministro evangélico.
A fala se deu no momento em que o presidente criticou a atuação do STF no julgamento que vai enquadrar a homofobia como crime de racismo. Já há maioria no Supremo nesse sentido, mas o julgamento foi interrompido na última semana e deverá ser retomado em junho. Para Bolsonaro, o órgão do Judiciário estaria extrapolando suas funções e legislando.
"Então, com todo respeito ao Supremo Tribunal Federal, uma pergunta: existe algum, entre os 11 ministros do Supremo, evangélico, cristão assumido?", afirmou. "Não me venha a imprensa dizer que eu quero misturar a Justiça com a religião. Todos nós temos uma religião ou não temos. E respeitamos e tem que respeitar. Será que não está na hora de termos um ministro do Supremo Tribunal Federal evangélico?", disse. Após a fala, o presidente foi aplaudido pela plateia presente no templo da Assembleia de Deus.
"O Supremo Tribunal Federal agora está discutindo se homofobia pode ser tipificado como racismo. Desculpe aqui o Supremo Tribunal Federal, que eu respeito e jamais atacaria outro poder, mas, pelo que me parece, estão legislando. E eu pergunto aos senhores: o Estado é laico, mas eu sou cristão", afirmou.
SEM CRISE.
O ministro do STF, Alexandre de Moraes, minimizou a declaração de Bolsonaro de que a Corte precisa no momento de um ministro evangélico. Moraes ressaltou que a indicação dos cargos máximos do STF são feitas pela Presidência da República e disse que é natural que o Executivo escolha nomes alinhados.
"Ele sendo o presidente da República pode escolher aquele que entender que seria o perfil ideológico mais próximo ao seu governo. Isso ocorre no Brasil, nos Estados Unidos. Cabe ao Senado aprovar. São declarações normais, cada presidente tem o direito constitucional de escolher ministros do STF", disse.
Moraes descartou ainda que o andamento de pautas mais "liberais" sejam afetadas pela discordância de um governo mais conservador. O ministro prosseguiu colocando panos quentes na situação e disse que a reação não evidencia conflito entre os Poderes..