10 de julho de 2026
Gabinete de Crise

'Pandemia ensina a nos tornar mais humanos', diz presidente da FVE

Por Xandu Alves |
| Tempo de leitura: 4 min
Parque Tecnológico da Univap

Mantenedora da Univap (Universidade do Vale do Paraíba), a FVE (Fundação Valeparaibana de Ensino) celebra 58 anos em agosto em meio ao maior desafio da história, superar a crise provocada pela pandemia do coronavírus.

“Posso dizer que é uma situação bastante confortável”, disse o professor Eduardo Jorge Bastos, presidente da FVE, ao Gabinete de Crise de OVALE.

Para ele, a pandemia deixa como lição a necessidade de mais humanidade.

Confira a entrevista na íntegra.

FVE completa 58 anos em agosto. Como está a situação neste momento?

A FVE está muito bem diante dos grandes desafios que tivemos. Primeiro, estabilizar a situação econômico-financeira o que foi feito há cinco anos e depois passando pela pandemia. Estamos caminhando bem e com equilíbrio financeiro. Não estamos perdendo alunos e o Parque Tecnológico também vai bem. Posso dizer que é uma situação bastante confortável.

A pandemia foi um risco para a FVE?

Se observar a situação toda, não fizemos na FVE redução de jornada, não houve demissão e nem suspensão de contrato. Mesmo com nossos funcionários fazendo rodízio, mantivemos o salário integral. Passamos por 2020 numa situação boa e estamos enfrentando a crise de 2021, que assola todo mundo, mas continuamos bem.

Houve aumento da inadimplência e desistência de cursos?

No ano passado, em março e abril, começamos a ficar apavorados porque não sabíamos como as pessoas iam reagir à pandemia. Alguns alunos começaram a ficar inadimplentes. Eles estavam aguardando como ficaria o ensino, se remoto, à distância, presencial. Aquilo criou um pouco de insegurança. Mas a partir do momento que fomos trabalhando com os alunos e os pais, da universidade e do colégio, a situação foi ficando mais tranquila. Tivemos uma inadimplência de 20% em 2020 que foi caindo e está em um patamar bem satisfatório. Teve uma coisa muito interessante de pais demitidos que usaram o dinheiro da demissão e fizeram proposta de pagar adiantado o valor do curso do filho, principalmente no ensino médio. Tem pais que anteciparam até 2023. Temos programas de desconto e foi interessante para os dois lados. Acho que estreitamos mais a relação com os pais e alunos.

E as aulas presenciais?

Os colégios estão com quase 100% da capacidade e isso deve ocorrer a partir de setembro. Há pais que ainda não querem voltar, mas a meta é voltar cada vez mais na educação básica, sempre atentos à situação da pandemia, com a cepa delta. Na universidade, muitos alunos ainda não querem voltar totalmente. Estamos voltando os laboratórios e aulas técnicas de forma presencial, com aulas teóricas remotas até o final do ano. Também estamos atentos à saúde dos professores e funcionários idosos, tanto na questão da saúde física como mental.

Continuam os cuidados sanitários?

Uso de máscara e distanciamento de um metro em sala de aula, além de álcool em gel e todos os protocolos, que estão até mais rígidos. Vamos colocar tapetes para higienizar os sapatos e teremos estoque nos prédios da universidade e colégios. Estamos fazendo toda a parte de higienização e cuidados sanitários. O trabalho no comitê da Covid garantiu que não tivéssemos nenhum caso na comunidade e também não perdemos ninguém. E somos um campus grande, com 900 funcionários na FVE. Agimos para prevenir.

O aluno pode ficar em aula remota?

Deve conversar com os coodenadores para poder chegar a um consenso.

A pandemia provocou perda educacional?

Acho que o remoto gerou um ganho grande. Tivemos que nos adaptar, mas há diferença do retomo e do ensino à distância, em que há mesmo uma perda. O remoto é aula ao vivo. Tenho certeza de que dentro da instituição houve mudança radical da pedagogia e das metodologias remotas. Hoje, nas minhas aulas de engenharia, consigo fechar mais estudos de caso no remoto. O aluno começa antes e depois da aula. Existe, sim, a perda, mas creio que foi na questão do olho no olho, do contato. Os alunos têm maturidade.

O ensino remoto deve continuar?

Acredito que em algumas situações serão bem-vindas para utilizar. O caminho vai ser utilizar a ferramenta mista, o presencial e o remoto. Um sistema que o aluno acesse e tenha as atividades, que proporcione mais conteúdo aos alunos. É instrumento que veio para ficar. O remoto não vai mais sair do mercado.

Qual a lição que a pandemia vai deixar?

Para nos tornar mais humanos. Se não fosse esse sentimento de humanidade, de acolhimento das pessoas, não chegaríamos aonde chegamos. É a humanização do sistema, o respeito pelo aluno e pela comunidade escolar. Isso veio ensinar a humanidade depois de tantas guerras, brigas e problemas. Temos que acolher e respeitar, ser amigo e do ponto de vista do amor ao próximo. O amor é o caminho.