08 de julho de 2026
Brasil

Moro pediu provas e negou delação de Cunha, dizem Veja e Intercept

Por Das agências@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
Alvo. O ministro da Justiça, Sergio Moro tem aprovação da maioria para cargo do STF, segundo pesquisa

Novos diálogos revelados pela revista Veja e pelo site The Intercept Brasil apresentaram mais evidências de que o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, orientou a investigação do Ministério Público Federal na Lava Jato, pedindo inclusão de provas e sugerindo a mudança de datas de operações e mostrou contrariedade na delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. A revista acusa Moro de ter omitido informações solicitadas pelo ministro do STF Teori Zavascki, morto em 2017, para manter um inquérito na 13ª Vara Federal, então chefiada pelo atual ministro da Justiça.

No diálogo, também aparecerem celebração de um encontro com o ministro Edson Fachin, do STF ("aha, uhu, o Fachin é nosso"), pelo coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, e um encontro entre Moro e o apresentador Fausto Silva, da TV Globo, no qual o ministro recebeu dicas de como se expressar diante da opinião pública.

Em nota, o ministro da Justiça e da Segurança Pública disse não reconhecer "a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos e que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente". "Lamenta-se que a Revista Veja se recusou a encaminhar cópia das mensagens antes da publicação e tenha condicionado a apresentação das supostas mensagens à concessão de uma entrevista, o que é impróprio." Segundo Veja, Moro e Deltan não quiseram receber a reportagem e se recusaram a receber os arquivos pessoalmente, condição que a revista estabeleceu para ouvir a posição dos citados.

RÉUS.

Em uma das mensagens, Moro alertou o coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, que o MPF (Ministério Público Federal) não havia incluído uma informação considerada importante por ele na denúncia de um réu.

De acordo com a reportagem da Veja, tratava-se da denúncia feita contra Zwi Skornicki, representante do estaleiro Keppel Fels, que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo e apontado como um dos maiores operadores de propina no esquema de corrupção.

De acordo com a reportagem, o ex-juiz também era contra um acordo de delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. No dia 5 de julho de 2017, Moro questiona Dallagnol sobre rumores de um acordo do político.

"Espero que não procedam", diz. Dallagnol responde: "Só rumores. Não procedem. Cá entre nós, a primeira reunião com o advogado para receber anexos (nem sabemos o que virá) acontecerá na próxima terça. Estaremos presentes e acompanharemos tudo. Sempre que quiser, vou te colocando a par".

Moro responde: "Agradeço se me manter informado. Sou contra, como sabe".

Após a publicação da reportagem, a assessoria de Moro afirmou que "eventual colaboração de Eduardo Cunha, por envolver supostos pagamentos a autoridades de foro privilegiado, jamais tramitou na 13ª Vara de Curitiba ou esteve sob a responsabilidade do ministro, então juiz"..