10 de julho de 2026
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Documento de 1794 revela: congada no Litoral Norte tem mais de 225 anos

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 2 min
fotos carta

Manifestação cultural de matriz africana, a congada foi trazida para solo brasileiro na época da escravidão. Não há uma data certa de sua chegada nem o lugar exato em que começou a ser expressa pelas bandas de cá, mas sabe-se que alguns territórios nacionais guardam-na como parte da memória e identificação histórica. É o caso de Ilhabela.

Vinculada ao período de engenho, a congada faz parte da cultura popular local. Não é difícil encontrar por lá quem tenha relatos de antigos parentes que foram escravos. E é por meio desse conhecimento, com "causos" passados de pai para filho, que a tradição foi sendo revelada e mantida viva.

Acreditava-se, aliás, que a congada já fazia parte da cultura da ilha há ao menos um século e meio. Mas, agora, um raro documento datado de 1794, trouxe respaldo àquilo que antes era só verbal. Trata-se de uma carta composta por três páginas escritas pelos membros da Câmara de São Sebastião ao presidente da Província.

Nela, os membros da Câmara parabenizam o rei pelo nascimento de sua filha, a Princesa da Beira - irmã que D.Pedro I. E, como parte dos festejos oficiais em comemoração ao nascimento da menina, foi realizado o "Baile dos Congos" pelos "oficiais dos serviços mecânicos".

"Não existia até então um documento que pautasse a congada em Ilhabela. Existia, sim, relatos de antigos moradores descendentes de escravos. Então, o entendimento das pessoas que praticam a congada ou a assistem é de que a ancestralidade da manifestação vai até aquele ponto", afirmou a historiadora e arqueóloga Cintia Bendazzoli, que localizou os documentos.

"O documento encontrado deixa claro que o Baile dos Congos já acontecia em 1794 de maneira oficial, como parte dos festejos do nascimento de um membro da coroa. E, se ele já ocorria num evento oficial, certamente ele foi trazido muito anos antes para cá e realizado de maneira informal nas senzalas, nos quilombos e nas matas (por ser uma manifestação de africanos, provavelmente ela era cerceada) até enfim se institucionalizar".

Descoberta

Após analisado e transcrito por meio da técnica de paleografia, procedimentos realizados pela pesquisadora, a imagem do documento original foi disponibilizada à Secretaria de Cultura e presenteada à Associação dos Congueiros de Ilhabela durante a realização da Congada e Festa de São Benedito, em maio deste ano.

Tanto o documento, quanto sua transcrição estão atualmente disponíveis para visitação na Sala de Exposição "A Congada de São Benedito", no Centro Cultural da Vila, e também na Fundaci (Fundação Arte e Cultura de Ilhabela), ambas na Vila..