Li o interessante artigo do professor José Arthur Giannotti "Diferenças purgadas" (O Estado de S.Paulo, 13/6/2019) sobre conversas entre Sergio Moro e Dallagnol: "Espanta-me que até agora não tenham percebido que a Lava Jato foi e ainda é um processo essencialmente político que sempre esteve à beira dos limites de cada profissão. (...) No entanto, se o movimento é político, não é por isso que se torna automaticamente partidário." Porém, muitos criminalizam a política, mesmo a boa política, e não apenas os políticos condenados por corrupção.
"Como era de esperar, escreve José Arthur Giannotti, para não cometer os erros em que caiu, na Itália, a Operação Mãos Limpas, importava antes de tudo focar o centro do governo e chegar até as periferias. Não é à toa que os ex-governadores do Rio de Janeiro estão na cadeia. (...)Somos todos devedores da Operação Lava Jato e deste processo que tem desvendado operações criminosas e ajudado a punir malfeitores."
De outra parte, li também o instigante artigo do jornalista Fernando Gabeira intitulado "Um pais nada monótono" (O Estado de S.Paulo, 14/6/2019): "Ela foi uma tentativa de corrigir os fracassos do passado: operações sufocadas, como a Castelo de Areia e o caso do Banestado. (...) Moro autorizava operações da Lava Jato. Era razoável que perguntasse pelo destino de suas autorizações. (...) Imaginar que se pode voltar o ponteiro aos tempos da roubalheira é uma fantasia. Os tempos são outros, a sociedade é outra: não deixa.".