11 de julho de 2026
Brasil

Moro foi contra investigar FHC, diz Intercept: "melindra apoio importante"

Por http://www.ovale.com.br |
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Polêmica. Ida de Sérgio Moro ao mistério é questionado

Nova troca de mensagens divulgadas nesta terça-feira pelo site The Intercept Brasil mostram que o ministro da Justiça, Sergio Moro, enquanto era juiz federal, questionou um processo com denúncias relativas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

As mensagens, trocadas com o procurador da República, Deltan Dallagnol, mostram que o então juiz achava "questionável" o envio da ação encaminhada pelo Ministério Público do Distrito Federal ao MP de São Paulo. Nas palavras de Moro, a ação poderia "melindrar alguém cujo apoio é importante."

Segundo o Intercept, as mensagens são datadas de 13 de abril de 2017, um dia depois da TV Globo veicular delações de executivos da Odebrecht apontando pagamentos indevidos às campanhas de FHC em 1993 e 1997.

No diálogo, Moro e Deltan questionam o conteúdo apresentado e o envio da ação para o Ministério Público de SP. "Tem alguma coisa mesmo seria do FHC? O que vi na TV pareceu muito fraco?", diz Moro, antes de perguntar se um crime de caixa 2 em 1996 "não estaria mais do que prescrito."

"Foi enviado para SP sem se analisar prescrição. Suponho que de propósito, para passar recado de imparcialidade", afirma Deltan. "Não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante", responde Moro no diálogo.

Na época, a Lava Jato era alvo de questionamentos pelo PT e grupos de esquerda, que acusavam a operação de parcialidade e não investigar o PSDB. O debate foi ampliado por conta de uma foto em que Sergio Moro, ainda quando juiz, apareceu sorrindo ao lado de Aécio Neves (PSDB) e Michel Temer (MDB), mesmo com acusações de corrupção contra ambos.

O Intercept aponta que as conversas sugerem a parcialidade da Operação, tão negada pelos envolvidos. "Moro estava explicitamente preocupado com investigações da Lava Jato contra um apoiador político de seu trabalho. E Dallagnol admitiu acreditar que outros procuradores da força-tarefa passaram adiante uma investigação que sabidamente não resultaria em processo, a fim de fabricar uma falsa percepção pública de 'imparcialidade', sem, no entanto, colocar FHC em risco", diz o site.