Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente do Brasil em outubro com uma votação expressiva, diante da onda ultraconservadora que varreu o país durante o ano passado, após sucessivos escândalos e na esteira da Lava Jato. Já em seu mandato, a falta de projetos concretos para o Brasil, a enorme capacidade de gerara crises internas e práticas da velha política -- praticadas por quem, apesar das quase três décadas de Congresso, vendia-se como novo -- minaram a popularidade do pesselista , como mostrado por diversas pesquisas, fazendo com que os primeiros meses de governo tivessem um tom mais de divórcio do que de lua de mel.
Para quem prometeu ao eleitor brasileiro, tão castigado por uma avalanche de escândalos e trambiques, ser o 'novo', Bolsonaro está mostrando pertencer à velha classe política. Porém, a diferença é que agora, diferentemente de quando era somente um deputado do baixo clero, ele pode sentar-se em um lugar melhor à mesa e come uma fatia maior do bolo.
Nova política?
A realidade mostra-se outra e bem diferente daquela fantasia dos palanques, que Bolsonaro insiste em ocupar.
Além da saga dos laranjais do PSL e outros escândalos, o governo mostra-se um absoluto e despreparado bando de trapalhões, sem discurso ou linha de pensamento coerente, incapazes de uma articulação mínima. Para aprovar a proposta de reforma da Previdência na Câmara, em primeira votação e apesar do Executivo atrapalhar o processo e se dedicar mais à defesa da venda de bijouterias de nióbio, o Planalto precisou liberar emendas de centenas de milhões e milhões de reais em emendas parlamentares. É um exemplo de nova política?
Recentemente, tivemos, apenas para citar um, o escândalo da Vaza Jato atingiu o ministro Sergio Moro -- que foi escolhido como um escudo pelo presidente, mas que agora depende dele para sobreviver politicamente.
O governo é uma indústria de crises, em diversos setores -- no meio ambiente, educação, saúde, só para citar alguns.
Como se não bastasse tudo isso, além de tentar conduzir o país, Bolsonaro ainda precisa cuidar dos já bem crescidos filhos -- ou eles que o controlam?
Recentemente, dois casos são bem emblemáticos. O primeiro com o filho Flávio, senador pelo Rio de Janeiro, beneficiado por uma decisão do ministro Dias Toffoli, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), que suspendeu as investigações no caso das atípicas movimentações financeiras do ex-assessor Fabrício Queiroz na Assembleia Legislativa, com base em documentos do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Além disso, o presidente desafia o bom senso e insiste na indicação do filho Eduardo, deputado federal, para embaixada nos EUA, porque o 'menino' já fritou hambúrguer.
Parece piada, mas não tem a menor graça. Casa da Mãe Joana? Não, o país parece ter tornado-se a Casa do Pai Jair..