Ela chega de mansinho, sem alarde e se instala. E você vai convivendo sem saber. Então, um dia, vem uma tontura, um incômodo na nuca, uma dor no peito e... Começa uma desesperada luta pela vida na emergência de um hospital. É a hipertensão, doença silenciosa que atinge um bilhão de pessoas segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Só aqui no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 35% da população tem a enfermidade. Mas acredite: estima-se que metade nem saiba disso! Ainda de acordo com números oficiais, 388 pessoas morrem por dia por hipertensão.
Mas afinal o que significa dizer que se tem pressão alta? "A pressão arterial nada mais é do que a força da contração do coração nas paredes das artérias. Isso gera um nível de pressão que habitualmente gera em torno de 120mm a máxima e 80 mm a mínima. O famoso, 12 por oito. A hipertensão é quando há cifras acima desse valor", afirmou o cardiologista Paulo Cardoso Cavalcanti Ferreira, da CentroCor, clínica de São José dos Campos.
Segundo ele, valores entre 12 por oito e 14 por nove ainda são consideradas limítrofes, uma pré-hipertensão. Nesses casos, já deve ocorrer uma obrigatória mudança de hábitos e em alguns casos o uso de medicamentos.
"A hipertensão pode levar a sobrecarga de alguns órgãos. Os mais atingidos são, além do próprio coração (causando hipertrofia), o cérebro (aumenta os riscos de AVC), os rins (insuficiência renal) e os olhos (cegueira)", alertou o cardiologista. As artérias do corpo também são danificadas ao longo do tempo.
Histórico.
A dona de casa Márcia Cursino, de Taubaté, descobriu ser hipertensa há dez anos. Na ocasião, foi parar no hospital com dormência no braço e dores na cabeça e no tórax. "Minha pressão chegou a 22 por 17. Estava num princípio de um AVC, mas recebi socorro rápido", contou ela, que hoje tira a pressão ao menos uma vez por mês e toma dois medicamentos por dia.
"Minha família é toda hipertensa", contou ela. Seu caso não é isolado, a doença é herdada dos pais em 90% dos casos. Mas, vários fatores influenciam nos níveis de pressão, como fumo, consumo de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, elevado consumo de sal, níveis alto de colesterol e sedentarismo.
Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a doença. O Ministério da Saúde informa que pessoas acima dos 20 anos de idade devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Mas, se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se medir no mínimo duas vezes por ano.
Vale lembrar ainda que não há cura. "Uma vez diagnosticada, passa a ser necessário que se monitore de forma periódica", afirmou Ferreira.
O tratamento pode ser ou não medicamentoso, mas só um cardiologista pode determinar um remédio seguro na dosagem correta para cada paciente.
Idosos.
Dados mais recentes do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), de 2018, mostram também que a parcela da sociedade mais afetada pela hipertensão é formada por idosos.
A pesquisa foi feita com 52.395 pessoas maiores de 18 anos, entre fevereiro e dezembro do ano passado, e 60,9% dos entrevistados com idade acima de 65 anos disseram ser hipertensos, assim como 49,5% na faixa etária de 55 a 64 anos.
Há uma explicação: "Existe, sim, com o envelhecimento das artérias, a perda da complacência da nossa artéria [a grosso modo, elas ficam mais firmes]. Com a idade, aumenta a probabilidade de uma pessoa ficar hipertensa", explicou o médico.
Estima-se que uma a cada três pessoas será hipertensa ao longo da vida..