Em audiência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara) durante a tarde desta terça-feira (2), o ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que acompanha na condição de vítima as investigações da Polícia Federal sobre o vazamentos de mensagens que supostamente teriam sido trocadas por ele durante a execução da Lava Jato.
Aos deputados, Moro repetiu que desconhece a autenticidade das mensagens, pois teria deixado de usar o aplicativo em que elas teriam sido trocadas durante o ano de 2017. "Não posso reconhecer autenticidade em um material que eu não tenho", disse. Segundo ele, seu celular foi alvo de uma tentativa de invasão criminosa que ele mesmo teria presenciado, e, depois, entregue à perícia da Polícia Federal - que dá prosseguimento às investigações.
O ministro também afirmou que os ataques em celulares devem ser provenientes de alguém com alto grau de recursos financeiros. "Não parece corresponder a atividade de um adolescente com espinha na frente de um computador", continuou.
Em resposta aos deputados, o ministro ainda alegou que não é ilícita a relação demonstrada entre juízes e procuradores. "É comum que juízes falem com procuradores, é comum que juízes falem com advogados", disse.
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ESCLARECIMENTOS.
Moro foi convidado para apresentar sua versão sobre as supostas conversas que teria mantido com integrantes da força-tarefa quando ainda era juiz da 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, onde são julgados os processos da Lava Jato que tramitam no Paraná.
Os deputados querem esclarecimentos sobre supostas conversas mantidas por meio de um aplicativo de troca de mensagens por celular obtidas por uma fonte anônima e entregues ao site The Intercept Brasil. O site está, desde o dia 9 de junho, publicando reportagens com base nos diálogos atribuídos ao ministro Sergio Moro e aos procuradores, entre eles, o coordenador da força-tarefa, o procurador Deltan Dallagnol.
Ao abrir a audiência, o ministro argumentou ainda que a invasão de celulares de autoridades para obter mensagens faz parte de uma "tentativa criminosa de invalidar condenações" da Operação Lava Jato.
“A minha opinião, e aqui é uma opinião informal, é que alguém com muitos recursos está por trás dessas invasões e que objetivo principal seria invalidar condenações da Operação Lava Jato e impedir novas investigações. Seria alguém com recursos, porque não é tentativa de ataque a um celular, mas tentativa de ataque a vários, em alguns casos talvez com sucesso, o que não parece corresponder à atividade de um adolescente com espinhas na frente do computador”, ressaltou.
*Com informações da Agência Brasil