10 de julho de 2026
Brasil

Petróleo continua em queda e já 'vale menos do que uma pizza', diz analista

Por Agência O Globo |
| Tempo de leitura: 3 min
Petróleo

A agitação no mercado petroleiro, que despencou pela falta de demanda decorrente da pandemia de coronavírus, persistiu nesta terça-feira (21), depois que, nos Estados Unidos, os produtores tiveram de pagar para vender.

Este quadro arrastou as bolsas europeias nesta terça. Assim, Frankfurt perdia 3,99%; Paris, 3,77%; Londres, 2,96%; Milão, 3,59%; Madri, 2,88%.

Nos EUA, em Walll Street, no meio da tarde, o Dow Jones caía 1.90%, enquanto o S&P 500 perdia 2.26%, e o índice eletrônico Nasdaq baixava 2.32%.

"Ontem, alguns achavam que (a queda dos preços do petróleo) poderia afetar apenas o contrato de maio", ou seja, as entregas de cru confirmadas para este mês.

Isso parecia apontar para "fatores técnicos", para "liquidar rapidamente reservas acumuladas", explicou à AFP o analista Alexandre Baradez, da IG France.

"Desde o início do contrato de junho (que começou a ser cotado nesta terça), porém, observamos movimentos (de queda) igualmente importantes", acrescentou o especialista.

Às 13h (horário de Brasília), o barril de Brent do mar do Norte para entrega em junho perdia 25,58%, a US$ 19,02 em Londres, após ter chegado a US$ 18,10 durante a sessão. Foi seu valor mais baixo desde dezembro de 2001.

Já o WTI (West Texas Intermediate) americano para entrega em maio (último dia de cotação) estava a US$ 4,39  o barril, depois de passar a maior parte da sessão no negativo. Chegou a cair em torno de - US$ 10. Na segunda-feira, fechou a - US$ 37,63.

QUEDA HÁ SEMANAS.

"Nunca pensei que seria possível que o petróleo americano chegasse a valer menos do que uma pizza, ou uma fatia de pizza", disse Jameel Ahmad, chefe de estratégia de divisas e pesquisa de mercado na FXTM.

"Era impensável, mas se tornou realidade para os operadores que o preço do cru americano fosse negativo pela primeira vez na história", completou Ahmad.

O próximo contrato de WTI, para entrega em junho, e que será o ponto de referência a partir de quarta, retrocedia 38,82%, a US$ 12,50. Começava a se recuperar, após cair até um mínimo de US$ 11,60.

O mercado vem caindo há várias semanas.

Os preços negativos fazem os operadores terem de pagar para encontrar compradores que fiquem com o petróleo fisicamente. Esta é uma tarefa complicada no momento em que quase não há capacidade de armazenamento pela queda da demanda.

Nesta terça, vários países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) se reuniram por videoconferência, para analisar a "situação dramática" do mercado de cru.

Durante esta conferência "informal", os participantes "reiteraram seus compromissos para ajustar a produção de petróleo", segundo os termos do acordo firmado em 12 de abril passado - ainda insuficiente.

Hoje, a Arábia Saudita declarou que acompanha de perto a evolução do mercado de petróleo e que está pronta para adotar "qualquer medida adicional".

TRUMP QUER PLANO PARA O SETOR.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou nesta terça que seu gabinete elabore um plano de emergência para ajudar a indústria do petróleo e de gás.

"Nunca deixaremos quebrar o nosso grande setor americano de petróleo e gás", prometeu o presidente em um tuíte.

Na publicação, Trump anunciou que os departamentos de Energia e o Tesouro americano têm a missão de "colocar fundos à disposição para que essas empresas muito importantes e os empregos (gerados por elas) sejam mantidos no futuro".

O petróleo é vítima da queda do consumo por causa das medidas que reduziram a mobilidade em todo o mundo, como forma de combater o novo coronavírus. No entanto, sua produção está mantida, em um mercado que antes mesmo da crise já estava sobrecarregado.

Veja as principais quedas na Europa:

O índice FTSEurofirst 300 caiu 3,41%, a 1.272 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 3,39%, a 324 pontos.

Em Londres, o índice Financial Times caiu 2,96%, a 5.641 pontos.

Em Frankfurt, o índice DAX recuou 3,99%, a 10.249 pontos.

Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 3,77%, a 4.357 pontos.

Em Miilão, o índice Ftse/Mib teve perda de 3,59%, a 16.450 pontos.

Em Madri, o índice Ibex-35 registrou queda de 2,88%, a 6.634 pontos.

Em Lisboa, o índice PSI20 caiu 2,27%, a 4.035 pontos.