10 de julho de 2026
Brasil

Dólar chega a R$ 5,41, recorde histórico, com possível corte mais agressivo nos juros

Por Agência O Globo |
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Dólar

A leitura, por parte dos investidores, de que o Banco Central pode fazer um corte mais forte na taxa básica de juros no Brasil (Selic) faz com que o dólar comercial opere pressionado nesta quarta-feira. Às 15h30, a moeda americana era negociada com alta de 1,54%, valendo R$ 5,389. Na máxima, foi a R$ 5,413, recorde de cotação intradiária. Na Bolsa, o Ibovespa (índice de referência da B3) sobe 2,02%, aos 80.565 pontos, na esteira da recuperação na cotação do petróleo.

Levando em consideração o recorde intradiário desta sessão, a divisa americana acumula alta de 35% frente o real neste ano.

Internamente, as atenções se voltam para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 6 de maio, que vai decidir sobre o futuro da Selic. A expectativa do mercado é que haja um corte de 0,75 ponto percentual nos juros.

"O movimento de aversão ao risco segue dominando o mercado, o que em parte explica a força do dólar. Aqui, o mercado passou a precificar um corte mais agressivo na Selic, de 0,75 ponto percentual em vez de 0,5 já na próxima reunião do Copom. Isso contribui para deixar a cotação mais pressionada", destaca Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

O mercado passou a colocar o corte da Selic no radar após uma videoconferência do presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao "Estadão". Ele disse que o cenário que o mundo vivia na última reunião do Copom mudou. Naquele momento, a autoridade monetária deu a entender que os cortes de juros tinham sido encerrados. Assim, o mercado enxerga que deverá haver novo corte nos juros em maio.

"As apostas de um corte de 0,75 ponto percentual na Selic aumentaram muito depois das declarações do presidente do BC. Agora, a probabilidade implícita de um corte em maio nesta ordem é de 80%. Além disso, México e Turquia cortaram juros, o que também influencia o dólar, junto com a mensagem mais recente do BC", acrescenta Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.

Petróleo busca recuperação.

O cenário global ainda segue incerto, com os investidores monitorando os impactos da Covid-19 na economia. Nesta quarta, a companhia aérea americana Delta divulgou seu balanço referente ao primeiro trimestre. A empresa registrou prejuízo de US$ 534 bilhões no período, primeiro prejuízo trimestral em cinco anos.

Mesmo assim, os índices americanos operam com ganhos, na esteira de um melhor desempenho da cotação do petróleo. O Down Jones sobe 1,98%. S&P 500 e Nasdaq operam com valorização de, respectivamente, 2,04% e 2,62%.

Nesta quarta, o contrato barril de petróleo tipo Brent (negociado na Bolsa de Londres, referência internacional) para entrega em junho sobe 7,97%, a US$ 20,87. O contrato do WTI (referência nos EUA) para junho, por sua vez, tem ganhos de 27,74%, a US$ 14,78.

Este cenário favorece a Petrobras. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto) da estatal têm ganhos de, respectivamente, 2,78% e 2,95%.