Em pronunciamento oficial na tarde desta quinta-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou o médico oncologista Nelson Teich como novo ministro da Saúde, substituindo o demitido Henrique Mandetta.
Em longo discurso, Bolsonaro deixou claro que a decisão da exoneração foi "em comum acordo" e que o país precisa começar a voltar à normalidade, se referindo às medidas de isolamento adotadas por prefeitos e governadores por conta da pandemia do novo coronavírus.
"A vida não tem preço, mas a economia e o emprego tem que voltar à normalidade. Não o mais rápido possível, mas tem que começar a ser flexibilizado", disse o presidente. "O governo não é uma fonte de socorro eterno. Em nenhum momento fui consultado sobre medidas adotadas por grande parte dos governadores e prefeitos. Tenho certeza que sabiam o que estavam fazendo, mas o preço vai ser alto", destacou Bolsonaro.
O presidente disse que Mandetta fará uma transição "tranquila" e que a mudança foi necessária. "Não condeno, não reprimo e não critico o ainda ministro Mandetta. Ele fez aquilo que, como médico, achava que devia fazer. Ao longo desse tempo a separação cada vez mais se tornava realidade, mas nós não podemos tomar decisões em que o trabalho feito até o momento fosse perdido", disse.
"É como um paciente com duas doenças, a gente não pode tratar uma exclusivamente e não cuidar da outar. Sempre falamos em vida e emprego, nunca em emprego e economia de forma isolada. Desde o começo busquei levar uma mensagem de tranquilidade, mas o clima de terror se instalou no meio da sociedade, e isso não é bom", afirmou o presidente.
Nas últimas semanas, Mandetta e Bolsonaro divergiram publicamente em relação às medidas de isolamento social e ao uso de medicamentos à base de cloroquina para o tratamento de pacientes com a covid-19. Bolsonaro chegou a fazer pronunciamentos anunciando os supostos benefícios da droga, enquanto Mandetta defendia que era necessário estudar mais a fundo os efeitos do medicamento.
Quanto ao isolamento, Bolsonaro é a favor de medidas menos restritivas, em nome da economia, e chegou a passear várias vezes pelas ruas de Brasília. Mandetta defende medidas mais amplas de distanciamento social, em especial nas capitais mais afetadas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Brasília e Manaus.