10 de julho de 2026
Brasil

Desmatamento faz Amazônia reciclar menos água, diz estudo

Por Da redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
Floresta em chamas. A Amazônia perdeu área igual a 4,2 milhões de campos de futebol só em agosto

A Amazônia perdeu até metade da sua capacidade de reciclar água devido à degradação ambiental e aos desmatamentos, que já cobrem 20% do seu território.

É o que aponta o estudo "Mudanças Climáticas: Impactos e Cenários para a Amazônia", produzido com dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU (Organização das Nações Unidas).

O trabalho é assinado pelos pesquisadores José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), com sede em São José dos Campos, e do geólogo Carlos Souza Júnior, do Imazon.

Segundo eles, a redução da floresta afeta o transporte de umidade atmosférica para outras regiões, por meio dos chamados "rios voadores", mecanismo de circulação atmosférica que transporta a umidade que vai gerar chuvas em regiões fora da Amazônia.

Com o desmatamento, no entanto, a floresta já perdeu de 40% a 50% da sua capacidade de bombear e reciclar a água.

"É como se o coração de uma pessoa tivesse a metade de suas células mortas ou doentes e, portanto, não conseguisse mais impulsar o sangue pelo corpo todo. Isso é o que aguarda os pampas úmidos argentinos e as terras atualmente mais produtivas do sudeste e centro-oeste do Brasil."

Na Amazônia, o aquecimento observado entre 1949 até 2017 varia de 0,6 a 0,7ºC.

"Ainda que existam algumas diferenças sistemáticas, todas as fontes apontam para aquecimento maior nas últimas décadas, sendo o ano 2017 o mais quente desde meados do Século 20", diz o estudo.

Segundo Marengo, o aumento pode até parecer pequeno para um leigo, mas já é suficiente para causar impactos. "Talvez a população se adapte, ligando um ar-condicionado, mas a vegetação não consegue: ela morre e queima", disse o cientista ao portal UOL.

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelou que as queimadas na Amazônia atingiram uma área equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol apenas em agosto.

Marengo explica que as queimadas contribuem para aumentar a emissão e concentração de CO2 na atmosfera, o que leva ao aquecimento global.

ACORDO.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o advogado-geral da União, André Mendonça, anunciaram nesta quinta-feira ter chegado a um acordo junto ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para que R$ 1 bilhão oriundo da Petrobras seja destinado a ações de preservação do meio ambiente, sobretudo na região da Floresta Amazônica.

Desses R$ 1 bilhão, ao menos R$ 400 milhões devem ser repassados aos estados da região amazônica..