09 de julho de 2026
Brasil

Com presença de ministro, diretor interino assume cargo no Inpe em São José

Por Julia Carvalho@carvalho8123 |
| Tempo de leitura: 2 min
Bolsas. Marcos Pontes confirmou falta de dinheiro para o CNPq

Em 'visita relâmpago' ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), o Ministro de Ciência e Tecnologia do governo Jair Bolsonaro (PSL), Marcos Pontes, participou do evento de posse do diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião, em São José dos Campos, nesta sexta-feira.

O militar da reserva foi nomeado para o cargo no dia 8 de agosto, após exoneração de Ricardo Galvão. Ele tem doutorado em desenvolvimento sustentável e fez tese de doutorado sobre o desmatamento na Amazônia além, de mestrado em sensoriamento remoto pelo próprio Inpe.

"Vamos continuar o trabalho, o Inpe, como qualquer instituição com recursos limitados, enfrenta diversos desafios. Vamos priorizar alguns projetos e contar com o apoio do ministério para resolver as situações da melhor maneira possível", afirmou Darcton.

O novo diretor deve permanecer no cargo até setembro de 2020, quando um comitê de busca deve indicar três nomes, realizando uma votação para escolher o novo responsável pelo cargo efetivo.

"O Inpe continua com as suas funções. A partir do ano que vem devemos ter mais verbas que serão destinadas para cá [Inpe] no desenvolvimento de pesquisas", explicou o ministro Marcos Pontes.

AMAZÔNIA

Ricardo Galvão, que era diretor do Inpe, deixou o comando do instituto após o presidente tecer críticas quanto à divulgação de dados sobre o crescimento do desmatamento constatado na Amazônia. Bolsonaro, na época, chamou os dados de "mentirosos". O ministro afirmou que o sistema de mapeamento deve continuar sendo feito pelo Inpe. "Dados são dados, temos que trabalhar nos efeitos dos dados, a ideia é melhorar o sistema com entrada de novos recursos e ter um trabalho ainda melhor. O Inpe vai continuar a produzir os dados de alerta", afirmou Pontes.

Segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento, que atua com o Inpe, o desmatamento na Amazônia aumentou 15% no acumulado dos últimos 12 meses, se comparado ao período anterior. "A divulgação dos dados tem sido feita de uma maneira normal, com o Ibama talvez volte ao sistema antigo, quando entregávamos cinco dias antes de ser publicado", explicou o ministro.

BOLSAS.

O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, agência federal de fomento à pesquisa) informou que novas indicações de bolsas estão suspensas e que o orçamento para o órgão não deve ser integralmente recomposto em 2019.

Com o déficit de mais de R$ 300 milhões, a agência já havia congelado chamadas para financiamento de pesquisas e de bolsas. Cerca de 80 mil bolsistas são financiados pelo órgão, o número pode encolher após a medida, já que nenhum contrato foi assinado ainda. No Inpe, cerca de 500 pesquisadores são bolsistas do CNPq.

Após o evento, membros da APG (Associação de Pós-Graduandos) abordaram o ministro para questionar sobre a situação das bolsas. "O CNPq tem sido preservado, mas o dinheiro para as bolsas termina em setembro, eu tenho conversado com o governo para entender o lado deles. O presidente tem tentado aumentar o orçamento", disse o ministro..