09 de julho de 2026
Brasil

Bolsonaro volta a chamar Ustra de 'herói nacional'

Por Das agências@jornalovale |
| Tempo de leitura: 1 min
Tortura. Jair Bolsonaro voltou a defender coronel Brilhante Ustra

Durante entrevista nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que o coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-Codi durante a ditadura militar, é um "herói nacional". Ustra morreu em 2015, aos 83 anos, após comandar o órgão de repressão política do governo militar por anos.

Na saída da residência oficial do Palácio do Alvorada, Bolsonaro comentou com jornalistas sobre um almoço marcado com a viúva de Ustra, Maria Joseíta Silva Brilhante.

"Tem um coração enorme. Eu sou apaixonado por ela. Não tive muito contato, mas tive alguns contatos com o marido dela enquanto estava vivo. Um herói nacional que evitou que o Brasil caísse naquilo que a esquerda hoje em dia quer", declarou Bolsonaro.

Ustra foi o primeiro militar brasileiro a responder por um processo de tortura durante a ditadora. Ele foi acusado como responsável por crimes de tortura em outubro de 2008.

Em abril de 2016, durante o processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff (PT), Bolsonaro homenageou Brilhante Ustra em seu voto na Câmara. Ele chegou a enfrentar pedidos de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar e apologia à tortura. "Pela família e inocência das crianças que o PT nunca respeitou, contra o comunismo, o Foro de São Paulo e em memória do coronel Brilhante Ustra, o meu voto é sim", disse na época.

O DOI-Codi era o órgão de repressão política no período do governo militar. Entre 29 de setembro de 1970 a 23 de janeiro de 1974, período em que o coronel esteve à frente do DOI-Codi, foram registradas ao menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, de acordo com relatório elaborado pela Comissão Nacional da Verdade.

O relatório final da Comissão da Verdade apontou 377 pessoas, entre elas Ustra, como responsáveis diretas ou indiretas pela prática de tortura..