11 de julho de 2026
Brasil

Em meio a crise ambiental, Bolsonaro prioriza críticas às questões indígenas

Por Das agências@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min
Encontro. Jair Bolsonaro durante reunião com governadores

Em meio a uma crise ambiental sem precedentes, que atrai os olhares internacionais, o presidente Jair Bolsonaro deixou os problemas com as queimadas de lado e usou a reunião com governadores da Amazônia Legal, nesta terça-feira, no Palácio do Planalto, para criticar as demarcações de terras indígenas e disse que o encontro mostra ao mundo onde o país chegou com uma política ambiental que, no seu ponto de vista, não foi usada de forma racional.

"A Amazônia foi usada politicamente no passado. [...] Foi uma irresponsabilidade política do passado, usando índio como massa de manobra", disse.

Bolsonaro afirmou também que a defesa da internacionalização da região feita pelo presidente da França, Emmanuel Macron, é uma "realidade na cabeça dele" e pediu união para garantir a soberania brasileira.

Mais cedo, Bolsonaro disse que pode reconsiderar a ajuda emergencial do G-7, o grupo de países mais ricos do mundo, caso o presidente da França, Emmanuel Macron, retire "insultos" contra ele. Mais tarde, o porta-voz da presidência, Otávio Rêgo Bastos, disse que Bolsonaro voltou atrás da exigência de desculpas e disse que exigência é reconhecimento da soberania do país e autonomia do governo para empregar os recursos.

Nesta segunda-feira, o Palácio do Planalto informou oficialmente que vai recusar os US$ 20 milhões, o equivalente a R$ 83 milhões, anunciados por Macron em nome dos países que formam o G-7.

No encontro com governadores, o presidente estimulou o debate sobre a exploração mineral em terras indígenas. Os governadores do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Tocantins concordaram com Bolsonaro no sentido de que é preciso haver formas de estimular a produção nessas terras. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), opositor do Planalto, está na reunião, mas ainda não se manifestou.

Aliado de Bolsonaro, o governador de Roraima, Antonio Denarium, afirmou que o Estado tem sido penalizado nos últimos 30 anos por políticas indigenistas e ambientais. Ele disse ainda que 95% da vegetação nativa de Roraima está preservada, mas pediu ajuda ao governo federal para conseguir fiscalizar e combater ações ilegais.

Bolsonaro questionou Denarium sobre os motivos que levaram às demarcações de terras indígenas em seu estado. O governador respondeu que isso é "fruto de uma política indigenista". "Roraima não é porção de terra mais rica do Brasil, mas do mundo. E as terras indígenas e as ONGs estão concentradas justamente nessas áreas". Após cada fala, Bolsonaro ainda citou pedidos e demarcação de terras nas regiões e disse que, se concretizados, podem inviabilizar o desenvolvimento do local. "Índio não faz lobby e consegue ter 14% do território nacional demarcado".

Ele disse que existem 498 novos pedidos de demarcação de terras no Ministério da Justiça..