08 de julho de 2026
Ideias

SÃO TEMPOS DIFÍCEIS PARA O AMOR

Por Simone CastroMestre em Direito |
| Tempo de leitura: 1 min

Parasita, novo filme de Bong Joon-ho, é o retrato do capitalismo. A história gira em torno da desigualdade entre os Kims, que vivem num porão fétido na periferia de Seul, e os Parks, moradores de uma mansão inodora. Da janela dos Parks a vista alcança o belo jardim. Os Kims possuem uma fresta que dá para a calçada onde bêbados se aliviam. A janela e a fresta, espelhos invertidos na história, são o espelho do que se vive no interior.

Os Kims são ótimos. Desempregados, vivem de trambiques. Pela arte do trambique chegam aos Parks. A proximidade é ilusória. Para os asseados Parks, os Kims são apenas o mal cheiro que incomoda, por isso tapam o nariz, negando o outro. Negar humanidade é o escape para a violência contra o diferente.

Os Kims, ignorando o próprio cheiro, sonham com a "janela" que se abre com a falsa proximidade. Por isso o retorno da antiga governanta à mansão é a ameaça a ser elidida.

Fascinados pelo luxo e iludidos na sensação de pertencimento ao mundo dos Parks, os Kims disputam com a governanta. A luta entre as classes foi abolida. No lugar, uma violenta luta dentro da própria classe. Vale tudo para manter a ilusão de pertencimento àquele lugar.

Vitória de Pirro. A história, sempre cruel com os de baixo, escancara o lugar dos Kims: o porão abaixo do nível da rua, com o esgoto. É o capitalismo como é. Sem horizonte. Sem empatia. Sem janela. Sem amor.

Provocados, vemos a universalidade da desigualdade e a distância dos ricos. Parasita: até quando será possível fechar a janela para os de baixo? As metáforas assombram..