11 de julho de 2026
Política

Empresa acusa Juvenil de 'calote' de R$ 100 mil na eleição de 2012

Por Julio Codazzi@juliocodazzi |
| Tempo de leitura: 2 min
Cheque. Empresa aponta esquema irregular na campanha de 2012

Uma empresa de São José dos Campos, que prestou serviços ao vereador Juvenil Silvério (PSDB) na campanha eleitoral de 2012, cobra do tucano na Justiça o pagamento de cheques que somam R$ 100 mil.

A dívida, segundo versão apresentada no processo pela SL Comércio e Serviços em Comunicação, é decorrente de um esquema arquitetado pelo parlamentar para irrigar a campanha daquele ano com recursos não declarados, o popular 'caixa dois'.

Movido desde julho de 2016 pela empresa, o processo deve ser julgado nos próximos dias pela 5ª Vara Cível de São José. A ação cobra apenas o pagamento dos cheques. Não há notícia de que o caso seja investigado pelo Ministério Público. O vereador nega qualquer irregularidade.

A SL prestou serviços de divulgação para a campanha de Juvenil em 2012. Entre agosto e setembro daquele ano, o PSDB emitiu, por meio de seu comitê financeiro, quatro cheques para a empresa, com valor total de R$ 72,5 mil. A declaração do tucano à Justiça Eleitoral cita mais três pagamentos à empresa, entre julho e setembro, que somam R$ 12,1 mil para publicidade por placas, estandartes e faixas.

Na ação, a SL narra que Juvenil, "na condição de coordenador da campanha eleitoral do PSDB" naquele ano, era o responsável pelos pagamentos. E que o vereador "compelia o proprietário da empresa" a "endossar os cheques dados em pagamento pelos serviços e devolvê-los", sob a "alegação que necessitava de dinheiro para a campanha política e os cheques dados eram necessários para a prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)".

Durante o processo, ficou comprovado que os cheques emitidos pelo PSDB foram depositados na conta de José Antônio Braz, servidor da prefeitura cedido à Câmara entre 1989 e 2017, quando se aposentou. De janeiro de 2013 até o fim da carreira, Braz atuou no gabinete de Juvenil.

O proprietário da empresa, Edirlei da Silva Moreti, diz que após várias tentativas de receber o dinheiro, foi nomeado em 2014 para atuar no gabinete do tucano, para "amortizar a dívida" com o salário recebido. Após um desentendimento entre os dois, Moreti foi exonerado em julho de 2015. Assim, para completar o pagamento, Juvenil teria emitido os três cheques, que somam R$ 100 mil. Depois, no entanto, tentou sustá-los no banco, o que levou ao ajuizamento da ação.

Braz não foi localizado pela reportagem. Juvenil contesta a versão da empresa. O tucano diz que os três cheques foram cedidos por ele a um sobrinho, que teria usado serviços de "agiotagem" do proprietário da SL. "O cheque é meu, mas a dívida foi feita pelo meu sobrinho". O vereador disse não saber por que os cheques do PSDB foram depositados na conta do ex-assessor..