Jonas Maurício, 18 anos, foi contratado pela primeira vez na vida em outubro do ano passado. Ele trabalha em uma empresa que presta serviço para escritórios na região. O salário é o menor da firma.
"Faz parte para quem está entrando no mercado", resigna-se o contratado.
Levantamento de OVALE com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, mostra que o rendimento do jovem trabalhador não é exceção, mas regra.
O salário do 1º Emprego no Vale fechou 2019 com média de R$ 1.400, o que representa 21% a menos do que ganhou, em média, um trabalhador com experiência --R$ 1.766.
Mas a diferença pode ser ainda maior. No Vale, ela chegou a 75% no ano passado, caso da carreira de desenhista técnico. O salário médio para quem entrou no mercado pela primeira vez foi de R$ 855, ao passo que um profissional experiente ganhou, em média, R$ 3.394.
Ao todo, 64 carreiras tiveram salário médio 50% acima do valor pago no 1º Emprego. Outras 173 funções ganharam entre 49% e 20% acima do salário do trabalhador inexperiente.
O 1º Emprego conseguiu equiparidade em outras 136 profissões, a maior parte delas com baixa exigência de qualificação, como faxineiro, chapeiro e embalador.
Mas há situações em que a qualificação de quem entra e de quem já está no mercado não é tão distante, o que reduz o fosso entre os salários.
Na região, foi o caso de advogado, orientador educacional e educador social, todos com diferença abaixo de 20% entre o salário médio do 1º Emprego e o do trabalhador com experiência.
"Quanto maior a qualificação, mais a chance de conseguir emprego com um bom salário. É uma maneira de o jovem se diferenciar no mercado", disse Savana Pinheiro, coordenadora de agência de emprego.
De acordo com o economista Edson Trajano, do Nupes (Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais), da Unitau (Universidade de Taubaté), o setor de atuação do empregador influencia no salário para o jovem trabalhador. "Indústria normalmente paga melhor do que comércio e serviços".
Em 2019, entrada de jovens no mercado sofre queda no Vale, aponta ministério
A modalidade do 1º Emprego caiu 1% em 2019 na comparação com o ano anterior, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. Foi a 10ª retração consecutiva do ano passado, sempre considerando o saldo acumulado.
A boa notícia é que foi o menor percentual de retração. Entre janeiro e abril, a queda havia sido de 13%, a maior do ano.
Segundo o Caged, o 1º Emprego registrou 21,1 mil contratações em 2019 contra 21,3 mil em 2018 --206 admissões a menos. No mesmo período, o reemprego (desempregado que é contratado) subiu 6,36% no Vale, de 155,1 mil para 165 mil.