11 de julho de 2026
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Desempenho de estudantes no Pisa revela estagnação no ensino

Por Paula Maria Prado@paulamariaprado |
| Tempo de leitura: 4 min

Fazer com o Brasil avance no ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), índice que avalia o nível da educação básica no mundo. Essa é uma das metas anunciadas pelo ministro da educação Abraham Weintraub.

"Esperamos tirar o Brasil da última posição na América do Sul e colocar ele, até 2030, na primeira posição. Sendo que esperamos já ter resultados no próximo Pisa", afirmou ele. "Vamos sair da última posição da América do Sul. O fundo do poço foi 2018".

O resultado do último Pisa, em 2018, aplicado para 600 mil estudantes de 79 países e regiões, acendeu um alerta nos educadores brasileiros. Por aqui, onde cerca de 10,7 mil estudantes de 638 escolas fizeram as provas, a média da leitura foi de 413 pontos, de matemática foi 384 pontos e de ciências 404 pontos.

Na avaliação anterior, de 2015, o Brasil teve 407 em leitura, 377 em matemática e 401 em ciências. Ou seja, apesar da breve melhora nas pontuações, o resultado revelou uma estagnação.

Apenas dois a cada 100 estudantes atingiram os melhores desempenhos em, ao menos, uma das disciplinas avaliadas. E mais: o Brasil ficou abaixo das médias dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvovimento Econômico).

Mas será essa uma real tragédia da educação brasileira? Para o professor Ítalo Curcio, coordenador do curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é preciso ter cautela ao avaliar o resutlado.

"Não convém desvalorizar o Pisa. Precisamos lembrar que ele é um mecanismo de avaliação e conhecimento. Não abrange toda a população mundial, mas a maior parte dela. Portanto, é um indicador interessante", afirmou ele.

Ainda que cada nação traga diferentes realidades, há conhecimentos que são universais, como a leitura, conhecimentos em matemática e em ciências.

"O que podemos ponderar são essas diferentes realidades sociais e o fator histórico, uma vez que a história da educação é recente se comparada a maioria das nações desenvolvidas no mundo", ressaltou o especialista.

A primeira LDBA (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) data 1961 - menos de 60 anos. E a última, em vigor, é de 1996. "Muitos colegas se apoiam nisso ao criticar o Pisa. Mas o que ocorre é que precisamos tirar esse atraso", cravou o professor. "Não há motivo para desespero porque não estamos em um campeonato. E ainda que não estejamos bem, estamos bem melhores do que anteriormente. Mas também não podemos ficar confortáveis".

Professor.

O Pisa revelou ainda que o Brasil é o país ficou em último lugar em relação à valorização do professor e 91% das pessoas acham que o mestre não é respeitado em sala de aula.

Para o professor Luciano Nakabashi, da Faculdade de Economia e Administração de Ribeirão Preto da USP (Universidade de São Paulo), a valorização do professor está relacionada ao valor dado à educação, que nunca foi prioridade no País.

"Se a gente não consegue valorizar o professor, como aponta o estudo, não conseguimos atrair pessoas que queiram seguir essa carreira", afirmou ele na coluna "Reflexão Econômica", na rádio USP.

Nakabashi traça um paralelo entre a valorização do professor e o grau de desenvolvimento econômico da nação. "É preciso que seja oferecida uma educação de qualidade na escola para existirem pessoas qualificadas no mercado de trabalho", disse.

Saídas.

A busca por cumprir as metas do Plano Nacional de Educação, para Ítalo Curcio, é a saída para a melhoria na educação a médio prazo. Entre elas estão ampliar a oferta de educação infantil em creches; garantir que pelo menos 95% dos alunos concluam o ensino fundamental na idade recomendada; alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do 3º (terceiro) ano do ensino fundamental, entre outras.

"O problema é que a maior parte das metas não foram atingidas. Então não é possível sentir-se confortável com isso", afirmou o professor. "O próximo Pisa será em 2021. Ou seja, nós temos de dois a três anos de terapia intensiva".

Como medida de impacto, ele sugere a preparação dos alunos de forma intensiva - principalmente daqueles que prestarão o Pisa. "Paralelamente, precisamos voltar a focar no plano nacional".

Mas o que fazer com o professor que hoje se encontra desiludido? "O professor é um idealista por natureza. É esperançoso. Sempre acha que vai melhorar. Mas, de fato, não adianta boa vontade. É preciso dar condições de trabalho, com remuneração razoável, cursos de capacitação e formação para que ele se atualize e evolua", concluiu..