10 de julho de 2026
Política

Saída de Bolsonaro gera apreensão no PSL na RMVale

Por Julio Codazzi@juliocodazzi |
| Tempo de leitura: 3 min
Fui. Bolsonaro anunciou saída do PSL na última terça-feira

A decisão de Jair Bolsonaro de deixar o PSL e criar um novo partido, chamado Aliança pelo Brasil, tem gerado apreensão nos antigos colegas de legenda do presidente da República aqui no Vale do Paraíba.

O motivo: o grupo, apoiador de Bolsonaro, trabalha desde o fim de 2018 para estruturar o PSL na região, com o objetivo de surfar na onda do presidente nas eleições municipais de 2020, elegendo prefeitos e vereadores no Vale.

Para que eles possam concorrer em 2020 pelo Aliança pelo Brasil, o novo partido terá que estar oficialmente constituído até o início de abril do ano que vem, o que é considerado bastante improvável por aqui.

Ou seja, embora Bolsonaro tenha rompido com o PSL, seus principais apoiadores na região evitam o desembarque do partido, com receio de ficarem sem legenda para as eleições de 2020.

Esse temor é mais forte nos diretórios municipais de São José dos Campos e Jacareí, que são os mais estruturados da região. "É uma situação bem delicada", reconheceu Anderson Senna, presidente do PSL em São José, e que tem atuado como uma espécie de coordenador regional do partido. "Hoje eu permaneço no PSL, pois existe um trabalho que vem sendo realizado por muito tempo. Não posso ser irresponsável e colocar em risco todo o projeto que fizemos para São José", disse Senna.

"Estamos em modo de espera. Não posso abrir mão de um partido que tenho na mão, e correr risco de não conseguir lançar candidatos no ano que vem", afirmou Agenor Lino, presidente do PSL em Jacareí. "Ninguém esperava essa ruptura, o que se esperava era um acordo até a eleição de 2020. Mas o Bolsonaro é imprevisível".

Tanto Senna quanto Lino veem com preocupação o prazo exíguo para a criação do novo partido. "Nós temos apenas quatro meses para que isso aconteça. Será possível, nesse tempo, construir um novo partido? A minha preocupação não é o lado do Bolsonaro ou do [presidente nacional do PSL, Luciano] Bivar. O problema é lá, eu não tenho nada a ver com isso", disse Senna. "Criamos bases, uma estrutura para a eleição do ano que vem. Não sabemos se o novo partido vai ter tempo hábil de ser oficializado, como aconteceu com o Rede em outra eleição [de 2014]", afirmou Lino.

Senna ainda rebateu críticas que tem recebido da ala mais radical de bolsonaristas, por retardar o desembarque do PSL. "Essa falácia de que quem não sair do partido é traidor e oportunista, é perigosa. É uma fala muito violenta".

Em Taubaté, o diretório do PSL foi destituído recentemente e um novo grupo. As duas alas, no entanto, manifestaram otimismo com a criação do Aliança pelo Brasil. "Estou aguardando orientações do PSL estadual, mas eu irei migrar para o novo partido assim que for criado", disse o atual presidente, Eden Freire. "Seguirei Jair Messias Bolsonaro. Isto é fato", afirmou Jamila Coimbra, a ex-presidente.

Única com mandato no Vale, deputada se cala sobre desembarque do presidente

Principal liderança do PSL na região e única representante do partido com mandato no Vale, a deputada estadual Leticia Aguiar ainda não se pronunciou publicamente sobre a saída de Bolsonaro da legenda. Segundo apuração da reportagem, a parlamentar teme que qualquer fala de apoio ao presidente vire motivo para um processo disciplinar por parte da direção do PSL - o partido tem processado deputados estaduais e federais da ala bolsonarista. O receio é que isso possa configurar infidelidade partidária, o que resultaria na perda do mandato.

Já Noilton Ramos, que perdeu o mandato de vereador em Taubaté ao trocar o Cidadania pelo PSL, disse que, caso o Aliança seja criado em tempo hábil, irá migrar para o partido.