08 de julho de 2026
Ideias

uma mentira todo dia

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Dia 31 de março de 2020. Em um novo pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão, pontualmente às 20h30, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) falou à Nação e, como já havia feito ao longo desta terça-feira, distorceu a verdade -- ou, sem rodeios, mentiu. O chefe do Poder Executivo brasileiro distorceu declaração do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom, em um esforço para justificar sua tentativa de flexibilizaro isolamento social, o remédio mais eficiente contra a disseminação do novo coronavírus. Essa foi a terceira menção de Bolsonaro a respeito de Adhanom em um só dia, sempre tirando palavras do contexto. Ao falar sobre a importância de cuidar da população, o diretor não defendeu o fim do distanciamento social, como o apregoado pelo capitão, tanto que completou -- em trecho ignorado pelo mandatário brasileiro -- que os governos "precisam garantir o bem estar das pessoas que perderam a fonte de renda e que estão necessitando desesperadamente de alimentos e saneamento".

Traduzindo: no dia 31 de março, uma triste data da história da democracia brasileira que é celebrada por alas do bolsonarismo, devido ao golpe militar de 1964, que iniciou os 21 anos de chumbo da ditadura militar, o presidente da República torturou os fatos e a verdade, não em um porão obscuro, mas em plena cadeia nacional de rádio e televisão.

Ele mentiu.

E isso, infelizmente, não é novidade. Muito pelo contrário. Trata-se de uma regra. Levantamento feito pelo 'Aos Fatos', agência de checagem de dados, revela que o presidente mentiu ou distorceu a realidade 793 vezes em 450 dias.

É mais de uma por dia.

Ao longo da crise do Covid-19, o desgovernado presidente intensificou declarações falaciosas, contrariando até mesmo o posicionamento oficial do seu governo e chegando até a se referir à doença, que ameaça matar milhares e milhares de brasileiros e pessoas ao redor do planeta, como 'gripezinha', 'fantasia', 'resfriadinho' e 'histeria'. Lamentável.

Com o compartamento errático e desequilibrado, Bolsonaro chegou a ter postagem excluídas por redes sociais, por atentarem contra o esforço mundial de combate à pandemia. Facebook e Twitter estariam em uma conspiração 'de esquerda' contra o presidente?

Fato é que Bolsonaro, diante da maior crise do século, está fazendo política, criando uma mentirosa dicotomia entre vidas e empregos, de olho em 2020 -- ele busca atribuir aos governadores a grave crise que se abaterá na economia (que já era do 'pibinho').

Ao invés de resolver o problema, o Palácio do Planalto prefere terceirizar a culpa.

Afeito aos boatos, obscurantista e negacionista, o capitão isolado consolida-se cada dia mais como inimigo da ciência, da liberdade e da democracia, além do jornalismo independente e crítico.

Os dados são claros.

Capaz de torturar a realidade, mentindo ou distorcendo inacreditáveis 793 declarações em 450 dias, Bolsonaro é inimigo mortal da verdade dos fatos.

Para o presidente, todo dia é dia 1º de abril..