09 de julho de 2026
Ideias

A ruptura pelo fim do diálogo

Por Rodrigo VieiraJornalista em São José dos Campos |
| Tempo de leitura: 1 min

Não é de diálogo que o Brasil precisa. É de ruptura. Tudo o que a Nova República fez em 30 anos de redemocratização foi dialogar. Antigos oposicionistas, militares torturadores, empresários que apoiaram o golpe e financiaram crimes contra a humanidade: todos eles "dialogaram", fizeram uma transição sem revanchismo, sem nenhum terrorista de Estado na cadeia.

Chega de diálogo. Na Nova República todos dialogaram, desde a burocracia sindical com o empresariado patronal até o partido que levava no nome de sua classe de origem aliou-se com a burguesia financeira internacional.

Um grande diálogo no qual todos ganharam, a experiência nacional já deu mostras de que muito pouco se consegue com diálogo numa sociedade como a brasileira: autoritária, na medida em que não é capaz de fazer distinção entre o público e o privado; incapacidade para tolerar o princípio formal e abstrato da igualdade perante a lei; repressão às formas de luta e de organização sociais e populares e discriminação racial, sexual e de classes.

A sociedade brasileira, sob a aparência de fluidez, estrutura-se de modo fortemente hierárquico, mas as relações se efetuam sob a forma da tutela e do favor (jamais do direito), e a legalidade de constitui com o círculo fatal do arbítrio (dos dominantes) à transgressão (dos dominados), e desta ao arbítrio (dos dominantes).

Uma sociedade incapaz de reconhecer-se a si própria é uma sociedade imobilizada pelo presente, que jamais conseguiu prestar contas de seu passado sombrio e, por isso, é incapaz de imaginar seu futuro..