Há quem diga que Taubaté é a terra dos memes. É certo que de lá já saíram figuras excêntricas e marcantes como Hebe Camargo, Cid Moreira e mais recentemente, uma tal de grávida que também ganhou o Brasil (de uma maneira não muito agradável).
É difícil encontrar um momento na história em que a cidade não tenha se envolvido em fatos curiosos.
O taubateano sempre tem uma história para contar e o jeito de Taubaté de contar as coisas é único.
Um desses frutos contemporâneos é a banda Bemvirá. Formada por Leonardo Santander, Rogério Pereira, Will Barbosa e Otávio Santos.
A autointitulada banda de "rock tragicômico" foi formada em 2013 no cenário independente de Taubaté, entoando desde então músicas com rimas inusitadas, letras recheadas de referências, tratando de temas pesados, como depressão, ansiedade e insegurança.
Os integrantes da Bemvirá lançaram neste ano um álbum chamado "Eu Acho Que Preciso de Um Pouco de Espaço". Com senso de humor alinhado com a atualidade, a banda estreou o disco com o clipe da música "Astronauta", que reproduz uma série de memes brasileiros como o clássico choque do repórter Lasier Martins na Festa da Uva e Moisés no clássico "Topa Tudo por Dinheiro" de Silvio Santos, que não entendeu muito bem o jogo.
"Reunimos os memes que mais fizeram sucesso aqui no Brasil e quisemos fazer tudo de uma maneira bem caseira", conta Santander.
Para o vocalista e roterista do clipe, o vídeo mostra como as pessoas se distraem com coisas da internet enquanto o mundo está caótico lá fora.
Apesar do bom humor e melodia alegre, a música "Astronauta" fala sobre relacionamentos abusivos.
"Eu tento levar tudo para a ambiguidade, usando uma letra triste e uma melodia animada, para o público sentir tudo de uma vez", explica o vocalista.
A sinceridade das letras da Bemvirá algumas vezes é tão cruel que gera reações diferentes do público. "Tem gente que não presta atenção e quem se atenta acaba vindo me perguntar se está tudo bem (risos)", conta ele.
As músicas da Bemvirá conseguem ser interpretadas de uma série de formas, mas para a banda o principal é se aproximar do público. "É uma maneira de humanizar a arte. Eu falo do mesmo jeito que eu escrevo"..