10 de julho de 2026
Economia

Bolsonaro vai 'vender' KC 390 da Embraer no Oriente Médio

Por Da redação@jornalovale |
| Tempo de leitura: 4 min
(Pequim - China, 25/10/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, acompanhado do Senhor Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, cumprimentam crianças chinesas..Foto: Isac Nóbrega/PR

Durante a viagem presidencial a países árabes, que começa neste sábado, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) levará propostas de negócios militares às nações que visitará, principalmente quanto ao cargueiro multimissão KC-390, da Embraer.

Os Emirados Árabes Unidos serão a primeira parada do presidente. O país opera uma frota de quatro unidades do C-130 Hércules, avião que o KC-390 chega para superar tecnologicamente no mercado internacional.

O KC-390 é capaz de levar 26 toneladas de carga, acima das 23 que o Hércules carrega, além ser mais eficiente e econômico.

A FAB (Força Aérea Brasileira) foi a primeira corporação militar a comprar o avião, cuja primeira unidade foi entregue no começo de setembro deste ano.

A FAB comprou 28 aeronaves da Embraer para substituir a frota de C-130 Hércules. O contrato é de R$ 7,2 bilhões. Os aviões serão entregues até 2024.

A Embraer também vendeu cinco unidades do cargueiro para Portugal, o primeiro cliente de exportação da aeronave. O contrato é de 827 milhões de euros e as entregas estão programadas para começar em 2023.

ORIENTE.

A Arábia Saudita será a próxima parada de Bolsonaro. No ano passado, o país registrou o terceiro maior orçamento militar do mundo, de cerca de US$ 83 bilhões (U$ 330 bilhões), além de possuir uma frota de 35 aviões Hércules.

Por isso, também os sauditas serão alvo da oferta do KC-390, avião que já foi apresentado no mundo árabe durante a campanha de certificação.

Outra empresa de São José dos Campos que pode se beneficiar com a viagem do presidente é a Avibras, que forneceu para a Arábia Saudita 60 baterias do lançador de foguetes Astros-2. Há expectativa de nova encomenda.

Bolsonaro ainda visitará o Qatar, país que tem frota de quatro Hércules, mas de um modelo mais novo, que pode dificultar a negociação para a venda do KC-390.

O presidente citou o cargueiro da Embraer durante a passagem pelo Japão, além de negócios envolvendo o avião Super Tucano, também da Embraer.

No Twitter, o presidente escreveu: "Ucrânia quer aviões militares do Brasil. Presidente ucraniano tem interesse em comprar aviões Super Tucano. O Ministro de Relações Exteriores [Ernesto Araújo] avaliou a possibilidade dos ucranianos adquirirem a aeronave KC-390, cargueiro militar fabricado no Brasil".

O governo tem interesse na venda das aeronaves por contar com 3,2% de royalties que receberá com cada venda do KC-390, como compensação aos R$ 5 bilhões investidos durante o desenvolvimento do projeto.

O cargueiro também é a grande esperança da Embraer Defesa e Segurança, empresa que encabeçará os negócios da fabricante com a separação da aviação comercial, cujo segmento será controlado pela Boeing. O negócio deve estar concluído em 2020.

Presidente tenta aumentar exportações e atrair investimentos, segundo Itamarat

O Itamaraty informou que, entre os principais destaques da viagem de Jair Bolsonaro, estão o aumento das exportações da agropecuária brasileira e a atração de investimentos para os projetos de concessão e privatização de ativos do Programa de Parcerias de Investimentos, além do interesse árabe na indústria de defesa do Brasil. Nesse contexto, o cargueiro KC-390, da Embraer, será um dos destaques.

Governo diz que presidente que quer passar mensagem para o mundo

A viagem de 10 dias do presidente Jair Bolsonaro pela Ásia e o Oriente Médio, visitando parceiros comerciais, embute a tentativa de passar uma mensagem ao mundo.

Segundo integrantes do governo, o presidente quer sinalizar para o mundo que o Brasil está comprometido com a abertura econômica, com o ambiente de negócios e com o programa de reformas.

Para tanto, Bolsonaro visitou o Japão, onde participou do evento de entronização do imperador Naruhito e de um banquete oferecido pelo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe. O presidente também se reuniu com membros do grupo de notáveis, formado pelos dirigentes das principais empresas do Japão, como Mitsui, Toyota, Honda e Mitsubishi.

Na China, Bolsonaro cumpriu programa de encontro com autoridades do país asiático. Juntos, Japão e China têm um estoque de US$ 100 bilhões em investimentos no Brasil.

A Ásia lidera as exportações e importações brasileiras. Só nos primeiros nove meses de 2019, 40% das exportações brasileiras foram destinadas à região, ao mesmo tempo em que 33% das importações brasileiras vieram da Ásia.

Em seguida, neste sábado, Bolsonaro segue para Abu Dhabi, dando início à metade árabe da viagem. Depois da visita aos Emirados Árabes Unidos, o presidente segue para Doha. Ele passa o dia 28 na capital do Qatar e, em seguida, embarca para Riad, na Arábia Saudita, onde fica até o dia 30, quando deve retornar ao Brasil.

Embraer aposta em joint venture com Boeing para alavancar vendas do avião

Além do acordo para a aviação comercial, as fabricantes Embraer e Boeing criarão uma segunda joint venture para o cargueiro multimissão KC-390. A proposta prevê que a Embraer deterá 51% de participação nesta empresa, e a Boeing os 49% restantes. Segundo as empresas, a nova companhia servirá para "promover e desenvolver novos mercados para o avião multimissão KC-390".