08 de julho de 2026
Ideias

o tempo não para, não

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Dali

Por meio da sua poesia rebelde, traduzida em versos tão cortantes quanto uma afiada navalha e inquietantes como uma pergunta sem resposta (como onde está o Queiroz?, por exemplo), Cazuza (1958-1990) foi preciso em 'O tempo não para', uma das suas composições clássicas do artista, lançada no disco homônimo de 1988, um hino do rock brasileiro do período pós-ditatura. E, falando sobre o tempo, a canção ainda é atual, absolutamente atual, mesmo após mais de três décadas. Parece ter sido escrita ontem, em alguma cidade deste país hoje governado por ideias que não correspondem aos fatos, ao bel prazer de uma metralhadora cheia de mágoas.

Ao contrário da tão prometida 'nova política', expressão que soa como uma música aos ouvidos do povo castigado por décadas de saques aos cofres públicos, o que se vê no presente é o futuro repetir o passado, como uma peça (pregada) em um museu de grandes novidades, com espaço de destaque ao lado do nepotismo, caixa dois, fisiologia, emendas em troca de votos, autoritarismo, da defesa do indefensável (como a tortura e os ataques aos direitos humanos), entre outros quadros mais tristes de nossa história, escrita por uma infinidade de siglas partidárias, banhadas em um indigesto caldo temperado no tal jeitinho brasileiro.

É a velha nova política. Ou seria a nova velha política?

O presidente Jair Bolsonaro, em meio ao seu desgoverno, interfere indevidamente na Polícia Federal, no Coaf, no Ibama, na Receita Federal, no Inpe, etc.

Em xeque, depois do escândalo ligado ao Queiroz, o senador Flávio Bolsonaro indica ao pai um nome para comandar o Ministério Público. Sim, ele que estava no alvo do Coaf, que deve mudar de mãos, e da PF do Rio, que teve a cúpula trocada pelo Planato.

Bolsonaro foi eleito prometendo acabar com uma piscina cheia de ratos, mas por enquanto só está retirando as ratoeiras..