10 de julho de 2026
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Oferta de vagas em ensino superior a distância é maior que presencial

Por Bárbara Stephanie Monteiro |
| Tempo de leitura: 3 min
Estudante

Pela primeira vez, a oferta de vagas nos cursos de graduação na modalidade EaD (Ensino Superior a distância) superou o número de vagas da modalidade presencial. A revelação foi feita pelo MEC (Ministério da Educação) em parceria com o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsáveis pelo Censo da Educação Superior, divulgado no último mês de setembro.

Ainda segundo os dados, em 2018 foram ofertados cerca de 7,1 milhões de vagas no curso a distância, contra 6,3 disponíveis no presencial. O número de cursos EaD cresceu 50%, passando de 2.108 em 2017 para 3.177 em 2018. Por outro lado, o curso presencial ainda lidera em matriculas, com 6,4 milhões de inscritos, contra os dois milhões do EaD. Para Paula Marcitelli da Luz, coordenadora de polo EaD da Faculdade Anhanguera de São José dos Campos, a modalidade a distância é uma tendência. 

“O EaD está em expansão. De acordo com a ABMES (Associação Brasileira de Mantenedores de Ensino Superior), em 2023, o número de alunos dessa modalidade deve superar o do ensino presencial”, afirmou. Para ela, existem vários motivos que levam o aluno a optar por um curso a distância, mas a flexibilidade é uma das principais razões. “O EaD atende quem precisa conciliar o trabalho com os estudos, deseja otimizar tempo ou busca maior comodidade”, comentou.

A estudante Denise Lopes Viana Cursino, 32 anos, encontrou na modalidade a oportunidade de ter um ensino superior. “Os horários são flexíveis e o custo benefício é mais vantajoso. Tais fatores me ajudaram a conciliar o estudo com o trabalho e os deveres de casa”, disse. “Com a facilidade do acesso a internet e a falta de tempo em frequentar um curso presencial, estudar a distância se tornou uma forma rápida, prática e de baixo custo para adquirir conhecimento, se especializar, graduar e, até mesmo, fazer uma pós-graduação”, continuou Denise.

Desistências

O Censo da Educação Superior apontou ainda que, dos estudantes que entraram em 2010, 56,8% desistiram do curso e apenas 37,9% concluíram os estudos. Outros 5,3% continuavam na graduação seis anos depois do início do curso. “Qualquer atividade econômica - e o ensino é uma atividade econômica - tem que ter critérios de eficiência. E o Brasil é muito ineficiente. Mais da metade dos ingressantes desiste ao longo do curso, sendo também que há um elevado grau de pessoas que ficam muito mais tempo necessário para concluir o curso”, afirmou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, à Agência Brasil.

E acrescentou: “Se reduzíssemos significativamente essa ineficiência, conseguiríamos dobrar o número de pessoas com ensino superior completo no Brasil, utilizando os mesmos recursos atualmente disponíveis”. Segundo a coordenadora de polo EaD da Faculdade Anhanguera de São José dos Campos, essa evasão no ensino a distância é o grande desafio. “Dentre os motivos estão as dificuldades de adaptação a modalidade, que exige rotinas de estudos, além da resistência em relação ao curso”, ressaltou Paula.

Para a estudante de enfermagem Geovanna Perez dos Santos Leonel, 19 anos, o ensino presencial é importante e garante uma vivência na profissão. “O contato direto com o professor me permite entender melhor o conteúdo”, opinou. “Posso também conhecer outras pessoas e compartilhar experiências.

A universidade assegura o conhecimento prático”. Um total de 3,4 milhões de estudantes ingressou em cursos de graduação em 2018. No mesmo ano, 1,2 milhão de estudantes concluíram a educação superior. As informações do censo foram coletadas em 2.537 instituições, 2.238 delas privadas.