O Ministério Púbilco do Rio de Janeiro afirmou na tarde desta quarta-feira que o porteiro que cita o presidente Jair Bolsonaro (PSL) na investigação do caso do assassinato de Marielle Franco e Anderson Rocha mentiu em seu depoimento.
Segundo a promotora Simone Sibilio, dados referentes a planilha de controle de entrada e saída da portaria do condomínio Vivendas da Barra e gravações do interfone mostram que o porteiro em questão teria ligado para a residência de Ronnie Lessa, um dos presos acusados de envolvimento no crime, e não na do presidente. Ele estaria solicitando autorização para a entrada de Élcio Queiroz, outro dos suspeitos do assassinato.
Sibilio ainda afirmou que o porteiro "pode ter se equivocado" e que o depoimento dele não bate com a prova técnica adquirida pelo Ministério Público.
Mais cedo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR já haviam arquivado a investigação da citação do nome do presidente, por se tratar de um "factóide".
Na terça à noite, o Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou que registros do condomínio Vivendas da Barra, e também o depoimento de um dos porteiros à Polícia Civil, deram conta de que um dos suspeitos do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve, horas antes do crime, na casa do sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, suspeito de ser o executor da ação, que mora no local.
RESPOSTA.
Na noite de terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro fez uma live (transmissão ao vivo) nas redes sociais para comentar a reportagem do Jornal Nacional. O presidente disse que os registros no painel de votação da Câmara confirmam que ele estava em Brasília no dia citado pelo porteiro em depoimento.
"Eu tenho registrada no painel eletrônico da Câmara presença às 17h41, ou seja, 31 minutos depois da entrada desse cidadão, desse elemento no condomínio, e tenho também às 19h36. E tenho também registradas no dia anterior e no dia posterior as minhas digitais no painel de votação."
Ainda na transmissão, o presidente levanta hipóteses sobre os motivos que podem ter levado o porteiro a citar o seu nome em depoimento. "O que parece? Ou o porteiro mentiu ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo", diz o presidente..