08 de julho de 2026
Ideias

TRAGÉDIA BOLSONARIANA

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Hamlet

Há algo de podre no reino da Dinamarca. Após a morte do pai, o príncipe Hamlet vê o tio Carlos casar-se com a sua mãe, Gertrudes, e ocupar o trono dinamarquês. O reinado temia a ameaça de invasão pelo exército da vizinha Noruega. Na peça, escrita por William Shakespeare entre 1599 e 1601, o jovem que dá nome à história depara-se com o fantasma do pai, que conta-lhe ter sido envenenado pelo irmão e faz um pedido ao filho, para que mate o seu algoz. Hamlet simula então estar enlouquecido e inicia a busca pela verdade, tenta descobrir se o fantasma do rei morto dizia a verdade ou não. Trata-se de uma trama de traição, vingança, imoralidade e solidão.

Ser ou não ser?

Séculos após Hamlet, em outro palácio, um governante encastelado em dev@neios delirantes se refugia dentro do próprio closet, onde terá mais privacidade para passar horas e horas alimentando uma bolha ideológica em que vive, em um universo particular onde é justificável trocar a Dinamarca pela Noruega ao divulgar erroneamente um vídeo de caça às baleias nas redes sociais.

Parece piada, mas é fato.

Em reportagem, o jornal 'O Globo' revelou que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) instalou uma escrivaninha dentro do closet do Palácio da Alvorada, em Brasília, para ficar isolado ali, sem interferência dos funcionários.

"Estava sozinho, completamente sozinho", relatou o ex-deputado Alberto Fraga (DEM), amigo pessoal do capitão, que foi visitá-lo no último domingo.

O presidente, que teve a lua de mel com o povo brasileiro transformada em uma 'DR', vive atormentado por fantasmas, como o caso Queiroz e Flávio Bolsonaro, a falta de projetos para o país, a queda na popularidade, o avanço do desmatamento (não devido a uma preocupação com o meio-ambiente, e sim com as consequências), entre outros.

'Em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã'; 'O fim justifica os meios'; 'É melhor ser temido do que amado'; 'Aos amigos favores, aos inimigos a lei'; 'Governar é fazer acreditar'; também seriam pensamentos à espreita? Talvez, apesar do presidente, que já disse não gostar de ler, dificilmente ter lido 'O Príncipe', de Nicolau Maquiavel.

E nesta trama brasileira, a verdade é que Bolsonaro parece ter um pouco de cada um dos personagens, fazendo muitas vezes um papel de Yorick, o bobo da corte cujo crânio o príncipe segura nas mãos, enquanto questiona: ser ou não ser, eis a questão?

Governar ou não governar?

Até aqui, este desgoverno é uma tragédia.Não shakespeariana, mas bolsonariana. E graças à verborrágia do presidente, infelizmente, o resto... não é silêncio..