07 de julho de 2026
Ideias

CARTAS

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FOLCLORE

Certamente, quando falamos em folclore, a primeira imagem que vem à cabeça é o Saci. E se usarmos mecanismos de busca na internet com a palavra folclore, os primeiros resultados certamente serão sobre lendas. Saci, Boitatá, Curupira, Lobisomem e tantos outros seres fantásticos povoam o imaginário lendário brasileiro, contribuições de todos os elementos formadores da nossa identidade nacional. É sabido, porém, que o folclore não se resume a lendas. Em 1846, o arqueólogo inglês Willian John Toms, usou pela primeira vez o termo folclore, no dia 22 de agosto. A tradução, do então neologismo, é sabedoria ou conhecimento popular. Seriam todas as construções imateriais, não acadêmicas, brotadas espontaneamente de um grupo. Folclore são todas as características, os costumes, saberes, conhecimentos que são passados de geração em geração, que caracterizam um povo, uma comunidade, o que nos faz entender como pertencentes a um lugar. As lendas fazem parte de tudo isso, mas folclore não é só isso. Talvez nossas escolas sejam o ambiente onde mais se repetem o ensinamento folclórico predominantemente lendário. É comum ver nas paredes das escolas, nos últimos dias de agosto, uma profusão de cartazes com sacis e outros personagens. Muitas vezes, os mitos, as canções, as festas populares, as danças, o artesanato, as brincadeiras, os jogos e outros elementos deixam de ser explorados e, portanto, se tornam menos conhecidos e transmitidos. Aliás, o próprio termo folclore já caiu num uso pejorativo, como sinônimo de algo esquecido, que não existe, que passou ou até que é mentira. Quando queremos dizer que é mentira, por vezes dizemos "isso é folclore". O folclore está presente no nosso dia a dia, vivo e dinâmico, é essência no muito do que fazemos, espontaneamente, sem nos darmos conta que estamos vivendo e produzindo folclore. Basta nos perguntarmos: como nos identificamos como brasileiros, paulistas ou valeparaibanos? Que sotaque temos? Que comida comemos? Que ritos praticamos? Fazemos feira ou vamos ao supermercado? Como festejamos o carnaval, os dias santos católicos? Como nos divertimos? Tudo isso é parte constitutiva da vida de uma sociedade. Tudo isso é folclore. Já nos demos conta que feijão e arroz existe no Brasil todo e se formos para qualquer região do mundo sentiremos falta desta combinação? Ou que, quando alguém espirra, logo alguém diz: "saúde" ou "Deus te crie"? E o acometido pelo resfriado responderá; "Amém" ou "Obrigado"? O folclore nosso de cada dia é aquilo que fazemos, seja no cafezinho servido às visitas, nos ritos familiares, nos costumes que existem somente numa cidade ou mesmo num único bairro ou rua. São as expressões que nos dão sentimento de pertença e fazem sentido para nós. Para viver e transmitir o folclore, é preciso não negar a tradição. Seja o nosso sotaque nordestino ou gaúcho, seja o nosso jeito caipira ou qualquer outro traço cultural. Nas aulas de dança nas escolas e academias, aprendemos jazz, balé, sapateado, mas e as nossos ritmos? Por que não praticar, aprender e ensinar nosso ritmos e nossas danças? Talvez tenhamos que mudar nosso cultura de "comemorar" o folclore. Deixar de ser um projeto para se tornar um processo. Um constante processo de viver e reviver nossa identidade, uma busca constante de autoconhecimento enquanto brasileiro, identificando nossas raízes. Quem sabe, para começar, nossas festas juninas deixem de ser festas de funk ou country e voltem a ter significado dentro da nossa identidade nacional.

Carlos Gouvêa

São José dos Campos

ÓDIO À DEMOCRACIA

O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) não odeia somente a imprensa, mas a própria democracia! Como no café da manhã no Planalto, com representantes de emissoras de rádio e TV, de Santa Catarina, o presidente disse, o jornal vai acabar, assim como acabou a profissão de datilógrafo! E que o jornal Valor Econômico, que é da Globo, "vai fechar", porque tirei R$ 1,2 bilhão de faturamento dos jornais, depois que enviei ao Congresso, uma MP (que certamente será derrubada pelo Parlamento) que, isenta as empresas de capital aberto, a publicarem seus balanços todos os anos nos jornais! E acrescenta, 'e, coloquei a disposição das empresas para publicação de seus balanços, e de forma gratuita, o Diário Oficial' (que é impressa com recursos dos contribuintes...). Diz ainda, que toma essa decisão, em retribuição às criticas que recebe da imprensa! Santa ignorância... Para frustração deste soberbo e inapto presidente da República, nem o Valor Econômico, e menos ainda os principais jornais do País vão quebrar, se as empresas não publicarem mais esses balanços! Podem quebrar, sim, mas, parte das centenas de jornais pelo interior do País, que circulam somente nos municípios, e que prestam relevantes serviços à população. E o Bolsonaro, sempre mal informado não sabe, que, no lugar dos datilógrafos, hoje, são em milhares os empregos para digitadores... Presidente, substitua urgente seus ódios e baboseiras, e passe a governar o País!

Paulo Panossian

São Carlos-SP