08 de julho de 2026
Ideias

JÁ ESTÁ DE OLHO EM 2022

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urna eletronica

Caia o muro. Com golpes de marreta, caia tijolo por tijolo o simbolo de um planeta dividido entre duas ideologias. A data, 9 de novembro de 1989, fica marcada pela queda do Muro de Berlim, após 28 anos de uma triste existência, que teve como a argamassa a guerra silenciosa travada em suas zonas de influência entre os Estados Unidos e a União Soviética depois do encerramento da Segunda Guerra Mundial. Caia a divisão entre Alemanha Ocidental e Oriental, com a volta de um país unificado. Para muitos historiadores, naquela noite, na cidade de Berlim, escrevia-se o capítulo final da Guerra Fria, que se findaria por completo em 1991, também como uma consequência da perestroika (a reestruturação econômica) e da glasnost (retomada da liberdade de expressão), políticas que estavam sendo implementadas pelo governo de Mikhail Gorbachev já desde o ano de 1985. Caia o muro. Caia a 'Cortina de Ferro'. Capítulo derradeiro da luta entre capitalistas e comunistas, da Guerra Fria.

Trinta anos depois, o presidente Jair Bolsonaro parece governar olhando pelo espelho retrovisor da história. Preso na bolha de suas redes sociais, o pesselista vive entrincheirado no Palácio do Planalto, dentro de seu closet, guerreando contra os 'fantasmas' do período da Guerra Fria.

E quando o retrógrado olhar palaciano não está fixado em 1989, é possível vê-lo aprisionado a devaneios datados de 1964, atrasados e capazes de torturar a verdade em nome de um revanchismo infantil, estúpido, rude e tosco.

Em outros momentos, quando o governo se cerca de quem crê até no terraplanismo e nega o aquecimento global, parece até que essa visão bolsonarista volta ainda séculos e séculos para trás.

Curiosamente, mostrando que a eleição de 2018 ainda não acabou e está longe de terminar, até porque ele mantém-se continuamente em palanque, em campanha, aí está talvez o único momento em que Bolsonaro olha para frente: o olhar está em 2022, na briga pela reeleição -- que, inicialmente, ele afirmou que não tentaria, mas já deixa claro que pretende estar na luta por um novo mandato.

Por isso, ele frita Sergio Moro e ataca João Doria, Luciano Huck... quem pode oferecer risco. De tanto olhar para trás e para 2022, Bolsonaro esqueceu-se do hoje. Falta governo, 2019 já começou..