O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirmou nesta segunda-feira que o governo não dispõe da informação sobre a quantidade total de óleo que ainda pode chegar à costa brasileira. "Nós não sabemos a quantidade derramada, o que está por vir ainda", disse.
O ministro fez a afirmação ao comentar a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que, em entrevista a TV Record, afirmou que "o pior ainda está por vir". Especialistas já haviam dito que não é possível saber se chegará mais ou menos óleo à região.
Nesta segunda, Azevedo afirmou que a Marinha e órgãos do governo federal estão acompanhando as ocorrências de óleo na costa, mas que o avanço das manchas de petróleo não é de fácil detecção por satélites ou radares, o que dificulta o trabalho das equipes.
"É difícil, porque ele [o óleo] fica a meia água, é imperceptível", disse Azevedo em entrevista coletiva sobre o tema.
O comandante de Operações Navais da Marinha, o almirante Leonardo Puntel, que coordena o trabalho das equipes no Nordeste, afirmou que a chegada do óleo às praias dá sinais de estar diminuindo.
"O que nós estamos vendo nos últimos dias é um arrefecimento real, estatístico, da quantidade de óleo que está chegando às praias. Há mais de seis dias que não chega óleo a Pernambuco", disse Puntel.
Questionado se Bolsonaro se baseou em alguma informação técnica para afirmar que "o pior ainda está por vir", o almirante Puntel não apresentou uma resposta clara.
Segundo o comandante da Marinha, são produzidos relatórios diários sobre a situação do óleo no Nordeste pelo GAA (Grupo de Avaliação e Acompanhamento), constituído pelo Ibama, pela Marinha e pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).
Mas, ao ser questionado se algum desses relatórios apontou que a situação nas praias poderia piorar, Puntel não confirmou nem negou se essa informação foi fornecida ao presidente.
"Eles conduzem os relatórios exatamente à situação factual, e a situação factual é essa que nós mostramos, todo o movimento das correntes, dos óleos, o movimento da corrente submersa desses óleos que navegam submersos e suas diversas direções, que são imprevisíveis", respondeu Puntel.
NOTIFICAÇÃO.
O governo informou que notificou a empresa grega Delta Tankers, proprietária da embarcação Boubolina, suspeita de ser a responsável pelo vazamento de óleo que alcança praias da Região Nordeste desde setembro.
A investigação é conduzida pela Polícia Federal e pela Marinha. De acordo com a apuração, a embarcação grega Boubolina teria feito um carregamento na Venezuela, contornado a costa brasileira e seguido para uma região próxima à Cingapura e à Malásia, onde teria efetuado uma operação "barco a barco" de transferência de barris de óleo. O vazamento teria ocorrido no fim de julho.
Em nota, a empresa grega Delta Tankers rebateu alegando que conduziu apuração a partir de suas câmeras e sensores e que não haveria prova alguma de um vazamento de óleo durante o trajeto entre a Venezuela e a Malásia. No comunicado, a companhia também informou não ter sido comunicada ainda, mas que o material levantado por ela "será compartilhado com autoridades brasileiras"..