09 de julho de 2026
Brasil

Bebianno diz que Bolsonaro chancelou repasses ao PSL

Por Das agências@jornalovale |
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-ministro Gustavo Bebianno afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que o então candidato Jair Bolsonaro chancelou, em 2018, um acordo para repassar 30% do fundo eleitoral do PSL — o equivalente a R$ 2,7 milhões — para o diretório do partido em Pernambuco, chefiado pelo deputado Luciano Bivar (PE), atual presidente da sigla. As informações são do site do jornal Folha de S.Paulo.

Em disputa com o presidente Jair Bolsonaro pelo controle da tomada de decisões no partido a um ano das eleições municipais, Bivar é investigado por suspeita de desvio de parte dos recursos do fundo eleitoral por meio de candidaturas femininas de fachada. O caso envolve o diretório estadual do PSL em Pernambuco.

De olho nos recursos e nas estratégias para o pleito do ano que vem, Bolsonaro busca mais influência no partido que ajudou a alavancar no ano passado. Publicamente, ele diz que cobra apenas transparência à cúpula da sigla, em meio às acusações que tem sofrido. O depoimento de Bebianno indica a existência de um acordo entre Bolsonaro e Bivar para que o então candidato à presidência optasse pela filiação ao PSL.

Do lado de Bolsonaro, a negociação garantiria a possibilidade de colocar nomes de confiança no comando da campanha presidencial e do próprio partido durante a eleição.

Já para Bivar, o acordo garantiria recursos ao diretório do estado pelo qual se candidatou e foi eleito deputado federal. O parlamentar hoje é investigado pela suspeita de uso irregular de recursos que deveriam ter sido destinados a candidaturas femininas do partido em Pernambuco. No período em discussão, Bebianno era o presidente nacional do PSL. Nome de confiança de Bolsonaro, ele coordenou a campanha presidencial e foi ministro (Secretaria-Geral) por menos de dois meses.

Segundo a reportagem, Bebianno repetiu aos investigadores o que já vinha dizendo: que a decisão sobre a decisão sobre as candidaturas nos estados coube exclusivamente aos diretórios regionais. Cabia à Executiva Nacional apenas formalizar o repasse. Ao ser questionado sobre por que o diretório de Pernambuco foi beneficiado com as maiores cifras, afirmou que no início de 2018 houve um acordo político entre Bolsonaro e Bivar para que o então pré-candidato ingressasse no PSL.

Ex-aliado diz que presidente ficou com o poder de definir o comando dos diretórios

O ex-ministro Gustavo Bebianno informou também durante o depoimento à Polícia Federal que o presidente Jair Bolsonaro ficou com o poder de definir o comando de todos os diretórios regionais do PSL, além de cargos na Executiva Nacional e o comando interno da legenda durante o período eleitoral, segundo a reportagem da Folha de S. Paulo. À época das negociações com a cúpula do PSL, Bolsonaro também chegou a flertar com o Patriota.O ex-aliado de Bolsonaro também disse, no depoimento, não saber o que foi feito com o dinheiro repassado ao diretório partidário de Pernambuco. Desfiliado do PSL após a crise que culminou em sua demissão, Bebianno deve se filiar ao PSDB, do governador paulista João Doria.