11 de julho de 2026
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Família larga tudo pelo sonho de morar a bordo de um catamarã

Por Bárbara Monteiro@Bárbara_Ovale |
| Tempo de leitura: 3 min

Há três anos, o analista de sistema Fernando Previdi, a enfermeira Jamille e seus filhos, André, de 8 anos e Laura, de 6, decidiram viver em alto-mar. Conhecidos como Família Guina, eles venderam tudo o que tinham para realizar o sonho de viver em um catamarã de 47 pés (14,5 metros), hoje ancorado no Saco da Capela, em Ilhabela.

Um desafio nada fácil por mais planejamento que haja. Mas, segundo o quarteto, é recompensador.

"A adaptação é a parte mais difícil. Sofri muito" contou Previdi. "No começo, havia a ansiedade em vir logo para o barco. Mas, quando de fato viemos, muitas vezes pensei: e agora? E se o mar ficar agitado? Será que estou fazendo a coisa certa? Será que estão todos felizes?".

Mas Jamille e os pequenos velejadores tranquilizaram o rapaz. "Hoje pergunto para as crianças se elas querem voltar para terra, a resposta é sempre 'não'", falou ela.

"Acredito que criar os filhos aqui é até mais fácil do que em solo. Eles têm uma liberdade maior do que em apartamento. E percebo que tudo é mais prazeroso tanto para a gente quanto para eles", continuou.

Nova vida.

A casa flutuante da familia é completa. Tem sala, cozinha, quartos, banheiros, varanda, área gourmet e outros dois quartos que ficam em um espaço reservado e, geralmente, são alugados para pessoas que querem ter a experiência de dormir em um barco. Aliás, atualmente, essa é a fonte da renda do casal.

Apesar de esta ser a primeira vez da família Guina em um catamarã, os marinheiros já são velhos conhecidos das águas. "Nós viemos das lanchas. Costumamos dizer que somos 'lancheiros alados'", brincou Previdi. "Meu primeiro veleiro, inclusive, ganhou o nome de Guina", completou.

Com um oceano à disposição, os navegadores escolheram Ilhabela pela conexão que têm com a terra. "A cidade têm charme, boa infraestrutura e a proximidade com São Paulo", frisou Jamille.

"Ilhabela é basicamente a Vila Olímpia (bairro da cidade de São Paulo) do litoral paulista, ou seja, um lugar muito bom para se viver. Têm hospitais, escolas e segurança excelentes. Isso atrai muitas pessoas para cá", disse Previdi.

Ele reafirma que a vivência te sido um sonho. "Não enjoamos! O barco é muito confortável, é realmente a nossa casa. Claro que, descer para a praia e fazer um passeio é sempre muito gostoso, mas já passamos dias e dias aqui dentro sem qualquer problema ou incômodo. Quando se mora a bordo e se faz do veleiro de fato um lar, você se acostuma e pega carinho por ele. É uma delicia", finalizou.

beira-mar.

Atualmente as crianças estudam em tempo integral em uma escola pública da cidade, entretanto, no próximo ano a ideia é que os filhos aprendam no sistema homeschooling (ensino domiciliar), já que os planos é viajar até Recife (PE) e participar da corrida de veleiros, cujo percurso passa por Fernando de Noronha (PE).

Contudo, os sonhos do casal não param por aí. A família planeja ir para o Caribe, depois aos Estados Unidos e ainda atracar nas águas europeias. "Tudo à bordo do nosso catamarã Guina!", destacou o ex-analista.

O abastecimento de água da embarcação é feito por uma mangueira da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que chega até o veleiro. Isso permite que a família encha as quatros caixas de 200 litros cada, que fica no subsolo.

Já a energia elétrica é fornecida por placas solares que Previdi instalou, porém eles também contam com um gerador para emergências.

O gás é o de botijão tradicional. A residência possui ainda internet, televisão, videogame e até uma máquina de lavar- roupa..