11 de julho de 2026
Viver

Banda de Guaratinguetá lança música sobre propina no meio político

Por Thais Perez |
| Tempo de leitura: 2 min
Legenda. legendar Leg

Pro·pe·í·na, de propina+amina. Propina, de acordo com o dicionário, é uma quantia ou alguma coisa valiosa que se dá a alguém para persuadi-lo a ajudar, fazendo algo geralmente desonesto. Aminas é um composto orgânico que age em nosso corpo através da estimulação, gerando um iminente resultado viciante.

A palavra, que batiza o primeiro single lançado pela banda Pax Tecum, surgiu da ideia do músico e arquiteto Daltro Mendonça. Para ele, a propeína serve de “combustível” na política brasileira.

Composta por Xandu Alves e por Mendonça, a música fala sobre o “cardápio” da elite brasileira e foi inspirada no episódio em que o então deputado Rodrigo Rocha Loures deixou um restaurante com R$ 500 mil em propina.

“A música é quase uma reportagem, conta a história de uma pessoa que recebe propina. A gente usou justamente essa analogia para citar pessoas que são investigadas pela operação Lava Jato” afirma Xandu Alves, baterista da Pax Tecum e repórter do jornal OVALE.

Com ironia e sarcasmo, a letra da música cita “figurões” que tomaram conta do noticiário de forma negativa, sem tomar partido de quem está certo ou errado.

“Nós citamos a esquerda e a direita. A gente sabe que a polarização vai gerar críticas dos dois lados, mas já se sabe que isso tem sido praticado independente de partidos, o que é um pena”, disse Xandu, que dividiu a paixão pela música com o jornalismo durante toda a sua vida.

A banda ainda conta com o vocal da cantora Aida Ramalho, que compartilha o pensamento de seus companheiros de grupo.

“A corrupção sempre foi uma droga. O sujeito experimenta e está viciado. É propina para todo lado”, afirma a vocal.

A Pax Tecum foi fundada nos tempos de faculdade de Xandu e Daltro, logo depois de saírem do Ensino Médio. A vontade de colocar os pensamentos para fora, junto ao amigo Mendonça, gerou cerca de 10 músicas que permaneceram por mais de 20 anos guardadas na gaveta.

“Tivemos a banda por cerca de um ano e não fizemos nenhum show. Nos reencontramos em 2017 e, nestes últimos dois anos, a inspiração voltou com força”, conta Xandu.

A chama da música ainda estava acesa nos dois, que se juntaram para compor novas músicas, que juntas somam cerca de 40 canções. Dessa vez, resolveram espalhá-las pelo mundo, ao lado da vocalista Aida Ramalho.

“O plano é gravar um disco e lançar novas músicas, além de fazer shows”, completa Xandu.

RENASCIMENTO.

Xandu já participou de bandas de metal e de punk rock. A essência contestadora, que também é espinha dorsal do jornalismo, sempre esteve em seu DNA. Depois de anos, ele acredita que o rock precisa de uma injeção de energia.

“Acho que o rock perdeu a essência contestadora para o rap e o hip-hop. Tivemos grandes hinos durante períodos como a Ditadura Militar e a redemocratização. O rock independente sempre terá isso, mas o ‘mainstream’ ainda tateia à procura de uma voz assim. Qualquer coisa, estamos por aqui (risos)”, finaliza.