11 de julho de 2026
Viver

Escritora joseense lança livro neste sábado; confira crítica escrita pelo sobrinho de Jorge Amado

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Livro de Vanessa Alves

A escritora Vanessa Alves lança neste sábado seu novo livro em São José dos Campos. 'Peguei meu Coração e Comi', pela editora Patuá, tem lançamento às 17h, na Literacia -- na rua República do Líbano.

Confira uma crítica escrita por Roberto Amado, sobrinho de Jorge Amado, sobre o livro:

Caros leitores: preparem-se para uma viagem de pura sensibilidade, sexualidade e paixão. Você está prestes a conhecer a contundência poética desta personagem tão intensamente mulher e feminina criada por Vanessa Alves no seu livro de estreia: "Peguei Meu Coração e Comi" (Editora Patuá). Nos tempos atuais, com tantas infiltrações militantes nas poéticas contemporâneas, há um certo alívio lúdico encontrar uma manifestação literária tão concentrada no amplo espectro dos sentimentos — do nobre ao vulgar, sofrimento e regozijo gozo e rejeição.

O livro é pura paixão. Paixão mesmo, desinibida, carnal, hétero. Vanessa pega de fato seu próprio coração e engole sofregamente, a antropofagia contemporânea que transforma corpo e mente em puro afeto — amor, rompimentos, lástimas, tesão, inquietação. "...me dava gosto assistir ao espetáculo do bico dos meus seios em transe avermelhado pelo atrito desejoso da tua língua e dentes. Era assim: examinava os bicos de mulher pós-guerra antropófaga", dizem alguns versos do livro. Morra de ciúmes, inveja, tesão, ódio e amor. Você está condenado pelos poemas de Vanessa.

Verdade que em alguns momentos sobrevém a voz da menina assustada com seus próprios desejos e ao mesmo tempo embevecida pelo seu poder de sedução, fruto não só da beleza e sexualidade, mas principalmente de sua poética insinuante. Pode ser perturbador.

Assim ela se engaja no seu tempo como uma Pagu contemporânea e transforma o miopia geral em palavras. Primeiro em versos, depois em prosa, numa processo de depuração inversa, revelando qualidades de romancista: há um personagem central ao longo de todo o livro se desdobrando em particularidades do mesmo modo que se tecem personagens do romance.

Vanessa é orgânica, talento e sentimento na ponta dos dedos, conexão direta entre versos e coração. Revela-se por inteiro, sem escusa ou pudor, nua em cada frase: "A nudez me transpõe da condição humana e me leva ao sagrado. A nudez perpetua minha existência. A nudez me provoca, desassossega, instiga os olhos dos grandes Outros (vestidos ou não)". Puro desatino. Aposte: desenvolvimento técnico, conexões literárias, a voz tão límpida burilada como uma soprano de ópera, e teremos uma romancista vertical.