08 de julho de 2026
Brasil

Polícia para quem precisa

Por João Camilo Pires de CamposGeneral de Exército, é secretário da Segurança Pública do estado de São Paulo |
| Tempo de leitura: 2 min
Análise. Devemos ter cuidado para não apressar conclusões irresponsáveis

Imagine um Estado sem polícia. O primeiro reflexo será um toque de recolher das pessoas, que, assustadas, se enclausuram para evitar a violência. Nas cidades, falta do patrulhamento abre espaço para os roubos, furtos e saques. Não há repressão, e os ladrões se refestelam com o que há à disposição.

Mais mulheres são violentadas, espancadas, humilhadas. Mas não têm para onde correr, a quem pedir proteção. Os estupros de crianças e adolescentes crescem, sob o manto da impunidade garantida.

Não há quem negocie com sequestradores e as famílias veem o crime tomando-lhe parentes em troca de resgates. Os jogos de futebol são suspensos, pois não há estrutura para dar segurança às pessoas. Sem helicópteros, pessoas deixam de ser resgatadas em acidentes e morrem. Órgãos que poderiam salvar transplantados não são conduzidos. Mais mortes.

As drogas correm soltas, pois não há mais apreensões e investigação. Menores são aliciados ao tráfico e prostituição.

Autores de ficção poderiam dar novos parágrafos, com outras cenas desse conto sem sentido.

O triste e lamentável episódio de Paraisópolis nos deve remeter a algumas reflexões, pois nove vidas perdidas não podem de forma alguma serem relativizadas. Nenhuma reflexão, porém, deve ser acerca da necessidade ou da importância da polícia. Nossas forças policiais são instituições sólidas e patrimônio dos paulistas. Temos, sim, a melhor polícia do Brasil.

A valorização dos policiais e os investimentos realizados pelo governador João Doria (PSDB) têm sido determinantes. Só no caso da PM, de janeiro a outubro desse ano, foram realizados mais de 28 milhões de atendimentos, apreendidas 120 toneladas de drogas, recuperadas 8.000 armas e tirados das ruas 137 mil bandidos. O 190 atendeu a 18 milhões de chamados (são 80 mil por dia, com 19 mil viaturas deslocadas para atender o cidadão).

Apesar do cuidado na seleção e treinamento dos policiais, infelizmente há quem não honre nossa farda. Mas, para isso, existe o rigor das corregedorias, do Comando, da SSP e a Justiça. Na PM de São Paulo, não se passa a mão na cabeça de quem erra. De 2000 a 2019, mais de 6 mil policiais foram expulsos por delitos dos menores aos mais graves.

Nos seus 188 anos, a Polícia Militar jamais compactuou e jamais compactuará com desvios de conduta. A polícia é a grande muralha entre a sociedade e o crime e tem que ser fortalecida.

Devemos, porém, ter cuidado para não apressar de forma irresponsável conclusões acerca do episódio de Paraisópolis. É preciso aguardar as investigações antes de condenar qualquer pessoa, policial ou não.

Por que escrevo isso? Pela injustiça que vejo praticada em razão da generalização contra policiais de coragem, que se dedicam a nos proteger, salvar e até morrer pelos nossos filhos. E que, independentemente das críticas ou injustiças que se possa cometer contra eles, de quantas vezes forem repudiados ou feridos na alma, se ligarmos 190, eles sempre virão..