Na primeira postagem em redes sociais após ter sido demitido, o ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra saiu na tarde desta quinta-feira em defesa da CPMF. Na publicação, Cintra diz que o imposto sobre transações financeiras já é usado na Hungria e na Argentina, onde, segundo ele, tem "excelentes resultados".
O ex-secretário fez o comentário ao compartilhar postagem da jornalista Juliana Rosa, da Globonews, que disse, citando dados de um especialista da Fundação Getulio Vargas, que o tributo sobre pagamento só era usado em cinco países: Venezuela, Argentina, República Dominicana, Peru e Sri Lanka. Defensor do modelo, Cintra escreveu: "A Hungria teve autorização do Banco Central Europeu e introduziu o imposto em 2014. Na Argentina é usado há 20 anos com alíquota de 1,2% com excelentes resultados. Países com tradição tributaria consolidada não precisam dele".
A defesa da CPMF foi uma das razões que levaram à queda de Cintra, segundo o presidente Jair Bolsonaro. O economista se tornou o porta-voz do projeto, também defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de instituir o imposto para compensar a desoneração da folha de pagamentos. A ideia, no entanto, irritou Bolsonaro e parlamentares.
COMO SERIA.
Na última terça-feira, o secretário-adjunto da Receita Federal, Marcelo de Sousa Silva, apresentou as alíquotas em análise pela equipe econômica do governo federal para o imposto sobre pagamentos, que tem sido comparado à antiga CPMF. Conforme afirmou, cada saque e cada depósito em dinheiro seriam taxados com uma alíquota inicial de 0,40%. Em relação às operações de débito e de crédito, cada uma pagará uma alíquota de 0,20%.
A proposta apresentada também sofre forte resistência no Congresso Nacional. Tanto o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), quanto o relator da reforma tributária na Casa, deputado Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), já adiantaram que qualquer projeto que trate de um imposto semelhante à CPMF será rejeitado por eles..